A Geração Z, composta por jovens nascidos entre 1997 e 2010, está transformando o panorama das viagens corporativas no Brasil. Conectados, digitais e pragmáticos, esses profissionais vêm redefinindo não apenas o modo como as empresas se deslocam, mas também os próprios padrões de decisão e consumo nas políticas de viagens.
De acordo com levantamento da Onfly, maior travel tech B2B da América Latina, entre 2022 e 2025 a participação da Gen Z entre os viajantes corporativos cresceu de 12,8% para 18,6%. O avanço acompanha o amadurecimento dessa geração no mercado de trabalho, que passa a ocupar posições mais ativas dentro dos times.
“Esse comportamento evidencia que a Gen Z já é uma força estruturante nas viagens corporativas. É um público que valoriza experiências digitais, decisões rápidas e autonomia em ferramentas simples e conectadas”, analisa Rafael Cunha, Head de Dados da Onfly.
Apesar disso, o levantamento aponta que o nível de autonomia dos viajantes Gen Z ainda é 42,9% menor que o das demais gerações, reflexo da fase inicial de carreira e do maior acompanhamento por gestores e departamentos administrativos onde as passagens e reservas são realizadas por outras pessoas para o viajante.
Setores mais utilizados
Ao analisar a distribuição de viajantes por geração nas viagens realizadas entre 2024 e 2025, a Onfly identificou uma forte presença da Gen Z nas viagens do setor de Construção (68,5%), e Administração Pública (62,6%), seguidos de setores como Aluguéis não imobiliários (33,7%), Artes, cultura e recreação (29,6%) e Educação (22,5%). Esses segmentos refletem funções operacionais e programas de trainee que exigem deslocamentos frequentes.
Modais mais utilizados
Quando se observa os modais de transporte em 2025, os jovens predominam entre os viajantes que utilizam mais viagens intermunicipais de ônibus (64,9%), e menos aluguéis de automóvel (14,2%). Essa escolha está associada ao perfil de cargos mais iniciais e à busca por praticidade e economia, mantendo alta frequência de viagens, porém com tickets médios menores.
De forma geral, observa-se um comportamento consistente da Geração Z: alta representatividade nos modais coletivos, estabilidade no aéreo e menor presença em opções de maior custo individual, refletindo um perfil de viajante em início de carreira, pragmático e orientado à otimização de recursos.
Tickets e comportamento de compra
Apesar de o ticket médio geral da Geração Z ser consistentemente menor que o das demais gerações, diferença que chega a 25,6% em 2025, a análise por modal revela um cenário diferente. Isso ocorre porque a Geração Z concentra a maior parte de suas viagens em modais de menor valor médio, como o ônibus, que representa 33,4% de suas reservas, enquanto as demais gerações priorizam o aéreo e a hotelaria, com 37,6% e 43,3% de participação, respectivamente.
Quando observados individualmente, os valores médios da Gen Z mostram desempenho competitivo. Em 2025, o ticket médio aéreo (R$ 1.729) ficou muito próximo ao das demais gerações (R$ 1.772), e nos modais de hotel e ônibus, os jovens superaram levemente as outras gerações, com tickets de R$ 840 e R$ 323, contra R$ 834 e R$ 310.
“Mesmo com orçamentos mais restritos, observamos um comportamento estratégico. Eles usam ferramentas digitais para otimizar o custo e não abrem mão de conforto quando necessário. Há uma maturidade crescente no modo como equilibram preço, flexibilidade e experiência”, comenta Rafael Cunha.
Antecedência e previsibilidade
A Geração Z mantém o padrão de compras com menor antecedência: média de 8 dias em 2025, contra 13 dias das demais gerações. Ainda assim, o índice de cancelamentos e reprovações é inferior. Entre 2024 e 2025, os cancelamentos ficaram entre 4,3% e 4,7%, enquanto as demais gerações registraram 5,8% a 6,1%. Nas reprovações, a diferença também é expressiva, 1,2% a 2,1% entre os jovens contra 2,6% nas demais faixas etárias.
“Comprar de última hora normalmente não é uma boa escolha, mas a Geração Z demonstra uma relação de maior afinidade com a tecnologia. Mesmo realizando reservas com menos antecedência, ela consegue identificar boas oportunidades de preço na própria plataforma, o que explica por que o ticket médio em modais como aéreo e hotel se mantém próximo ao das demais gerações”, analisa Rafael Cunha, Head de Dados da Onfly.
Perfil de consumo em hospedagem e aéreo
Nas hospedagens corporativas, a Geração Z manteve foco em faixas de até R$ 400 no comparativo com o ano passado. Esta faixa orçamentária representou 89% das reservas em 2025.
Já entre as demais gerações, houve um aumento nas faixas de maior valor. É o caso de diárias acima de R$ 400, que passaram de 11% em 2024 para 18,7% em 2025.
Representatividade da Gen Z nas reservas de hotel por Faixas de Diária Média
Quando o assunto é passagens aéreas, a GenZ se concentra nas faixas de preço intermediárias, com preços entre R$ 400 e 799 (32,1%) e R$ 800 e 1.299 (25,5%). Essa participação se manteve praticamente igual no ano anterior, confirmando o comportamento racional e equilibrado da geração, que evita tanto os extremos de economia quanto os de gasto elevado.
Gastos e prioridades em viagem corporativa
Os dados do segundo trimestre de 2025 reforçam a mudança cultural no padrão de despesas: a Geração Z destina 44,17% de seus gastos em alimentação e 14,74% em aplicativos de transporte, proporções significativamente maiores que as observadas nas outras gerações (40,20% e 10,95%, respectivamente).
Esse padrão retrata um viajante da geração Z mais dinâmico e menos dependente de estruturas tradicionais, como carros da empresa ou reembolso de estacionamento. “Essa transformação de comportamento em viagens, antes restrita ao turismo a lazer, começa a se consolidar também no universo corporativo. As empresas que entenderem e se adaptarem à lógica de conveniência e flexibilidade da Gen Z sairão à frente”, conclui Rafael Cunha, Head de Dados da Onfly.