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Gustavo galindo
Foto: Divulgação

Gustavo Galindo: “Nossa região deve receber novos lançamentos de luxo, com projetos assinados e voltados a um público disposto a investir mais por serviços e qualidade de vida”

Especialista aponta bairros mais promissores, perfil de imóveis mais demandado e os efeitos de fatores como ano eleitoral e Copa do Mundo no setor

26 de fevereiro de 2026

Gustavo Galindo, sócio-diretor da Núcleo Consultoria Imobiliária, analisa as principais tendências do mercado imobiliário de João Pessoa para 2026, com foco nos bairros que concentram maior potencial de valorização, nos impactos do calendário político e esportivo sobre o comportamento de compra e venda e nos segmentos que devem atrair mais investidores. Na entrevista abaixo, ele também aborda o perfil dos imóveis mais procurados atualmente, reflexo das mudanças no poder de compra, nas preferências dos consumidores e na dinâmica urbana da capital paraibana.

Quais bairros de João Pessoa você considera mais promissores para investimentos imobiliários em 2026, e quais fatores estão impulsionando esse interesse?

Considerando nossa área de atuação, especialmente a região Norte de João Pessoa, alguns bairros já consolidados continuam extremamente promissores como Bessa, Jardim Oceania e Aeroclube. Esse trio se destaca pelo volume de investimentos do poder público, tanto municipal quanto estadual, além da forte presença de empreendimentos privados.

São bairros que oferecem autonomia em serviços, com ampla oferta de comércio, escolas, supermercados, farmácias e boa malha viária. Embora os serviços de saúde de alta complexidade ainda estejam concentrados em outras regiões da cidade, essa é uma característica comum a praticamente todos os bairros fora do eixo da Torre.

Outro fator relevante é a valorização imobiliária consistente, que gira entre 13% e 15% ao ano, aliada à qualidade de vida proporcionada pela proximidade com o mar e pela presença de áreas verdes. Atualmente, a região conta com quatro parques e deve receber em breve o novo Parque da Cidade, totalizando cinco grandes áreas de lazer, o que reforça ainda mais seu potencial.

Além disso, o Altiplano volta a ganhar destaque. O bairro nunca deixou de ser valorizado, mas agora entra em uma nova fase, impulsionada por obras de infraestrutura viária já em andamento, com desapropriações realizadas e processos licitatórios concluídos. As melhorias nos acessos, tanto para a Zona Sul quanto pela Beira-Rio, devem resolver gargalos históricos de mobilidade. Com isso, o bairro deve receber novos lançamentos, inclusive empreendimentos de alto padrão, alguns com assinatura internacional e design diferenciado.

Como você enxerga o impacto do ano eleitoral de 2026 no comportamento de compra e venda de imóveis?

Historicamente, os anos eleitorais, especialmente quando envolvem eleições presidenciais, geram uma expectativa maior no mercado. No entanto, isso não significa paralisação. O que normalmente observamos é uma leve desaceleração após o segundo turno, geralmente por um período de 45 a 60 dias, até a posse do novo governo.

Passado esse intervalo, o mercado retoma gradualmente seu ritmo. No caso de João Pessoa, não percebemos impactos significativos ou duradouros nas decisões de compra e venda. As eleições estaduais, em particular, nunca demonstraram influência relevante no comportamento do nosso mercado imobiliário.

Em um ano que também contempla a Copa do Mundo, você vê algum efeito no mercado imobiliário local?

A Copa do Mundo costuma trazer um clima de maior animação, especialmente por coincidir com um período tradicionalmente aquecido no Nordeste, próximo às festas juninas. No entanto, do ponto de vista comercial, o impacto direto no mercado imobiliário é limitado.

Durante os jogos da seleção brasileira, há uma desaceleração momentânea da rotina, inclusive com paralisação de obras em alguns períodos. Ainda assim, o mercado segue ativo e costuma registrar bons negócios, mantendo uma performance estável mesmo durante o evento.

Que tipos de residência estão em maior demanda atualmente e como essa tendência deve evoluir ao longo de 2026?

Atualmente, observamos uma demanda muito forte por apartamentos de dois quartos, entre 50 e 60 metros quadrados, e por unidades de três quartos um pouco mais compactas, entre 70 e 80 metros. Esse movimento reflete o perfil do público local, que enfrenta limitações de renda diante da valorização acelerada dos imóveis, especialmente nos bairros próximos ao mar, onde os custos de terreno e construção são mais elevados.

Esses tamanhos atendem famílias que necessitam de mais espaço, mas que não conseguem absorver o custo de unidades maiores, como imóveis de 90 ou 100 metros quadrados. Ainda assim, muitos desses empreendimentos oferecem alto padrão construtivo, tecnologia, arquitetura bem planejada e áreas comuns completas, garantindo qualidade de vida equivalente, ou até superior, à de imóveis maiores.

Essa tendência deve se manter ao longo de 2026, distribuída por diferentes regiões da cidade.

Quais segmentos do setor imobiliário devem apresentar maior crescimento ou oportunidades de investimento em 2026?

Alguns segmentos apresentam excelente perspectiva de crescimento. Os loteamentos continuam sendo uma opção atrativa, especialmente por oferecerem preços iniciais mais acessíveis e condições de pagamento facilitadas. No entanto, a localização é determinante: empreendimentos muito distantes da malha urbana tendem a ter desempenho inferior. Já loteamentos bem planejados, com infraestrutura, áreas de lazer e boa conexão com a cidade, têm apresentado resultados bastante positivos.

No mercado residencial, os imóveis de dois e três quartos, nas metragens entre 50 e 80 metros quadrados, seguem como os produtos mais procurados, tanto para moradia quanto para investimento. O estoque desses imóveis está baixo, o que sustenta uma demanda consistente, inclusive para locação anual e, em alguns casos, para curta temporada.

Há também espaço relevante para empreendimentos de alto padrão, especialmente no Altiplano. A região deve receber novos lançamentos de luxo, com projetos assinados, design especial e foco em bem-estar. Esses empreendimentos atendem um público disposto a investir mais para ter serviços integrados ao próprio prédio, reduzindo deslocamentos e priorizando qualidade de vida.

Por fim, o segmento comercial ainda apresenta oportunidades, mas exige planejamento estratégico. A cidade não absorve mais modelos tradicionais. Os novos projetos precisam oferecer soluções completas, integrando serviços como academias, alimentação de qualidade, infraestrutura para veículos elétricos, lava-jato, escolas de idiomas e outros serviços que facilitem a rotina diária, reduzindo a necessidade de deslocamentos e tornando os empreendimentos mais funcionais e atrativos.

Fonte: Eloísa França