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Foto: Divulgação

Varejo ampliado cresce apenas 0,1% em 2025 e desacelera após alta de 3,7% em 2024, aponta IBGE

Juros altos e inadimplência freiam consumo; mercado de trabalho mantém renda em alta, mas criação de vagas perde força. Queda da Selic sinalizada para março pode mudar cenário

20 de fevereiro de 2026

Os números consolidados de 2025 confirmam o que os indicadores já vinham antecipando ao longo do ano: o comércio brasileiro desacelerou. Dados divulgados pelo IBGE mostram que o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceu apenas 0,1% no ano passado, depois de avançar 3,7% em 2024. No varejo restrito, o crescimento foi de 1,6%, também abaixo do ritmo observado no ano anterior.

O desempenho reflete um ambiente marcado por juros elevados, menor confiança do consumidor e avanço da inadimplência das famílias. Ainda assim, o setor mantém relevância estrutural na economia, tanto em geração de empregos quanto em participação no PIB.

Juros altos e crédito mais caro pesaram sobre as vendas

A desaceleração não ocorreu de forma abrupta. Ao longo de 2025, os dados mensais já indicavam perda de ritmo, especialmente nas atividades mais dependentes de financiamento. O ciclo de alta da taxa Selic encareceu o crédito e reduziu o ímpeto de consumo de bens de maior valor.

Além disso, o aumento do endividamento e da inadimplência limitou o espaço das famílias no orçamento, exigindo maior cautela nas decisões de compra. O resultado foi um crescimento praticamente estagnado no varejo ampliado, movimento que interrompe a trajetória mais robusta observada em 2024.

Setor mantém resiliência histórica

Nos últimos dez anos, o comércio enfrentou dois períodos críticos: a recessão de 2015-2016 e a pandemia iniciada em 2020. Em quatro ocasiões houve retração nas vendas do varejo ampliado, sendo 2016 o momento mais desafiador.

Mesmo diante das oscilações conjunturais, o setor mostrou capacidade de adaptação. O comércio segue como um dos principais motores de geração de emprego e renda no país, preservando sua importância estratégica na economia brasileira.

Se o desempenho das vendas desacelerou, o mercado de trabalho trouxe um contraponto positivo. A taxa de desemprego encerrou o quarto trimestre de 2025 em 5,1%, uma das menores já registradas na série histórica recente. A renda média real também cresceu 5% no ano.

Por outro lado, o ritmo de criação de vagas formais perdeu força. Segundo o CAGED, foram abertas 1,28 milhão de vagas com carteira assinada em 2025. O comércio respondeu por 247 mil novos postos, ficando atrás apenas do setor de serviços.

Esse cenário revela um ambiente misto: emprego em nível elevado e renda maior, mas com menor dinamismo na expansão do mercado formal.

Crédito cresce, mas encontra limite no endividamento

O saldo das operações de crédito continuou avançando ao longo de 2025. Contudo, o aumento do comprometimento da renda das famílias impõe restrições à expansão desse mercado. O limite não está apenas na oferta, mas principalmente na capacidade de pagamento.

Para o varejo, isso significa necessidade de maior rigor na concessão e monitoramento do crédito, além de estratégias comerciais mais focadas em liquidez e giro de estoque.

A principal sinalização positiva veio da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária. Em janeiro, o Copom manteve a Selic em 15% ao ano, mas indicou de forma clara que deve iniciar a redução da taxa na reunião de março.

A eventual queda dos juros representa um ponto de inflexão importante para o comércio. A redução do custo do crédito tende a estimular financiamentos e aliviar o orçamento das famílias, criando condições para retomada mais consistente do varejo ampliado ao longo de 2026.

O que o varejista deve observar agora

  • O crescimento de 2025 foi modesto, mas não configura retração estrutural.
  • O mercado de trabalho segue sustentando renda, ainda que com menor ritmo de criação de vagas.
  • O crédito continua crescendo, porém com limite imposto pelo endividamento.
  • A sinalização de queda da Selic pode marcar o início de um novo ciclo para o consumo.
Fonte: CNDL