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Foto: Divulgação

Economia compartilhada transforma imóveis de férias em ativos de uso e investimento

Modelo de propriedade fracionada ganha espaço ao propor diversificação patrimonial, diluição de riscos e acesso a múltiplos destinos ao longo do ano

19 de fevereiro de 2026

A economia compartilhada já alterou profundamente setores como mobilidade, hospedagem e serviços, mas o mercado de imóveis de lazer permaneceu por décadas ancorado na lógica da posse integral. Alto custo de aquisição, despesas recorrentes de manutenção e uso limitado ao longo do ano sempre tornaram a segunda residência um ativo de baixa eficiência prática. Esse cenário começa a mudar com o avanço dos modelos de propriedade fracionada, que combinam racionalidade financeira e flexibilidade de estilo de vida.

A proposta rompe com a ideia tradicional de concentrar grandes volumes de capital em um único imóvel e em um único destino. Em vez disso, o comprador adquire frações de diferentes propriedades, ampliando possibilidades de uso, diversificando a exposição imobiliária e reduzindo riscos associados à valorização, liquidez e dinâmica de mercado.

“Historicamente, o imóvel de férias sempre foi um investimento concentrado e pouco flexível. O modelo fracionado permite ao comprador acessar diferentes destinos, diluir riscos e transformar a segunda residência em um ativo de uso recorrente, e não apenas de posse”, afirma Bruno S. Innecco, CEO e fundador da ZOZO.

Na prática, o sistema permite que um imóvel seja compartilhado entre múltiplos proprietários, cada um com direito a tempo de utilização, mas sem a rigidez de calendários fixos. A lógica prioriza a flexibilidade de datas, permitindo que o uso seja ajustado conforme preferências, disponibilidade e planejamento pessoal.

“Flexibilidade é um ponto central. O objetivo não é engessar o proprietário em períodos imutáveis, mas oferecer liberdade para programar o uso ao longo do ano, o que torna o modelo mais aderente à realidade de quem busca lazer e mobilidade”, explica o executivo.

Além do componente de lifestyle, o formato também dialoga com estratégias clássicas de diversificação. Enquanto fundos imobiliários oferecem exposição pulverizada com foco em retorno financeiro, a propriedade fracionada agrega um vetor adicional: o retorno de uso. O investidor mantém participação em um ativo imobiliário real, com potencial de valorização, mas incorpora benefícios tangíveis de fruição.

Outro aspecto relevante é a mitigação de custos e ineficiências típicas de imóveis de lazer tradicionais. Despesas de manutenção, taxas e períodos de ociosidade passam a ser diluídos, aumentando a eficiência econômica do ativo.

O modelo também se conecta a discussões mais amplas associadas à economia compartilhada, como otimização de recursos e uso mais eficiente das cidades. Ao reduzir imóveis subutilizados e distribuir de forma mais equilibrada os fluxos de ocupação, a lógica compartilhada tende a gerar impactos positivos tanto sob a ótica financeira quanto urbana.

“O imóvel de férias tradicional costuma permanecer vazio durante boa parte do ano. A economia compartilhada aumenta a taxa de utilização, reduz ineficiências e aproxima o investimento da lógica contemporânea de consumo, que valoriza acesso, experiência e racionalidade patrimonial”, completa Innecco.

O movimento reflete uma mudança mais ampla na percepção de propriedade, especialmente entre perfis de compradores que priorizam liquidez, diversificação e flexibilidade. Em vez de associar patrimônio exclusivamente à posse integral, cresce a valorização de modelos que combinam investimento e estilo de vida.

 

Fonte: Assessoria