Setor solar busca flexibilização de exigência do FINAME em financiamentos do FNE Sol
APB Renováveis debate com BNB impactos da obrigatoriedade de equipamentos nacionalizados; medida pode encarecer projetos e desestimular investimentos no Nordeste
16 de fevereiro de 2026
A Associação Paraibana de Energias Renováveis (APB Renováveis) participou de reunião com a Superintendência Estadual do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) para discutir os impactos da exigência de equipamentos nacionalizados nas operações da linha de crédito FNE Sol. O encontro contou com o superintendente Rodrigo Araújo e integra mobilização nacional coordenada pela Coalizão Solar, liderada pelo Movimento Solar Livre (MSL).
Durante a agenda, a entidade apresentou ofício institucional assinado por associações estaduais de geração distribuída de todo o país solicitando a flexibilização da obrigatoriedade de equipamentos financiáveis via FINAME. Segundo o documento, a medida pode elevar custos dos sistemas fotovoltaicos, reduzir a competitividade dos projetos e afetar diretamente a expansão da energia solar, especialmente no Nordeste.
O setor argumenta que a limitação de fornecedores e o preço mais elevado dos equipamentos nacionalizados tendem a encarecer os investimentos e desestimular novos contratos, atingindo empresas integradoras, consumidores e a geração de empregos. Atualmente, a cadeia fotovoltaica regional reúne milhares de profissionais e depende do crédito subsidiado como principal motor de crescimento.
De acordo com o presidente da APB Renováveis, Rafael Targino, a discussão não envolve oposição à indústria nacional, mas a necessidade de equilíbrio entre política industrial e viabilidade econômica dos projetos. “Defendemos o fortalecimento da indústria brasileira, mas a regra, aplicada de forma imediata e sem transição, acaba reduzindo o acesso ao financiamento e inviabilizando investimentos, sobretudo para pequenos empreendedores e residências. O crédito precisa continuar cumprindo seu papel de democratizar a energia solar”, afirmou.
Durante a reunião, o Banco do Nordeste informou que atua como executor da normativa vigente, cabendo eventual revisão da exigência à esfera ministerial. A pauta, portanto, passa a ser tratada nacionalmente pela Coalizão Solar junto ao Governo Federal.
“Esse tema ainda deve avançar nas próximas semanas, principalmente na esfera federal, onde pode haver revisão da exigência. A expectativa do setor é que o debate seja conduzido com base em dados técnicos e nos impactos reais para empresas e consumidores da região”, destacou Rafael Targino.
Fonte: Assessoria