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Foto: Divulgação

Jampa Gastronomia – Bares de bairro: onde o Nordeste se serve sem filtro

Paulo Nascimento explora bares de bairro em João Pessoa como o Espetinho do Nego e o Bar dos Cornos, onde comida regional e ambiente acolhedor se destacam

5 de fevereiro de 2026

Uma boa comida não escolhe parâmetro quando quem cozinha faz com amor e muito sabor. A mesa melhora quando há boa companhia e um bom drink; foi o que me aconteceu no Bairro dos Estados, no Bar Espetinho do Nego, onde o paladar foi abraçado por um arrumadinho de carne de sol, um ensopado de marisco e um drink de abacaxi leve e que entrega nos dois âmbitos que deve, e confesso que gostaria de outro agora.

Dizem que a mesa do bar é a melhor amiga do homem, mas, nesse estabelecimento, é da família, com um ambiente autêntico e com personalidade. Talvez o público desta coluna não se adeque, mas, sem astigmatismo, eu recomendo que você vá como iria a um bar e se entregue às boas risadas e ao espetinho, não o do Nego, mas o de cupim.

É reconfortante como lugares que te deixam à vontade fazem a noite valer a pena, e, para este colunista, a gastronomia de alguns bares é única. Principalmente quando falamos de caldinhos no Nordeste, onde os ingredientes se mostram sempre frescos e muito bem temperados, acompanhados de um limão, fazem uma verdadeira festa no paladar.

Aprendi a me mostrar mais aberto às comidas regionais, e o leque de opções e sabores é muito diverso. Algumas refeições são “carregadas”, dependendo do horário, mas, se é para viver a região, que seja pela gustação. Enfatizo os bares de bairros, pois muitas vezes são eles que mostram a gastronomia raiz, ao invés de restaurantes que se propõem a uma temática nordestina, mas deixam a desejar no sabor.

Outro bar curioso que não poderia deixar de fora é o Bar dos Cornos, sim, você leu certo. Um nome bem curioso, mas cheio de história e boa culinária. O Bar dos Cornos, comandado há pouco mais de três anos pela empresária Joice Ricardo, carrega uma história de mais de duas décadas marcada por humor e ressignificação. O apelido surgiu com o antigo dono, conhecido como “Boi”, que transformou experiências pessoais em ironia e fez do bar um ponto de encontro entre amigos. Com o tempo, o local acabou estigmatizado como um espaço simples e restrito a um público masculino, imagem que começou a mudar com a nova gestão.

Hoje, o Bar dos Cornos se consolida como referência de acolhimento e identidade nordestina, apostando em comida regional e bebidas tradicionais. A cachaça Matuta com limão, famosa por “descer queimando”, e a costela servida com acompanhamentos típicos são os grandes destaques do cardápio, atraindo clientes de diferentes bairros e cidades. Entre bom humor, pratos fartos e um ambiente receptivo, o bar mostra que até um apelido pode virar marca quando há criatividade, afeto e sabor regional.

Esses bares e muitos outros mostram, de fato, a cultura dos nordestinos e como vivem, sem estereótipos de uma panela de cuscuz na fachada de um restaurante, mas com cuscuz bom na mesa, acompanhado da famosa galinha guisada bem temperada. Recomendo a você visitar um bom bar, não só pela “cachaça que desce queimando”, mas pela experiência gastronômica.

Paulo Nascimento

Divulgação

Sobre Paulo Nascimento 

Apaixonado por histórias e sabores, Paulo é estudante de Jornalismo na Paraíba e iniciou a carreira em portais voltados à economia e lifestyle, onde aprendeu a valorizar o olhar atento sobre o cotidiano. Recebeu a Comenda Mário Tourinho de Imprensa por uma reportagem  inovadora e já participou de coberturas em eventos de diferentes áreas. Hoje, integra a equipe da TV Correio e escreve sobre gastronomia,  paixão despertada em workshops do Estadão e do Paladar. Agora, assume o cargo de editor e colunista da Jampa Gastronomia.

Fonte: Paulo Nascimento