Carnaval impulsiona renda de catadores de materiais recicláveis com aumento no volume de resíduos
Campanhas de conscientização e apoio ao trabalho dos catadores tornam a folia mais limpa e impulsionam a renda de quem vive da reciclagem
4 de fevereiro de 2026
Com a movimentação de foliões no Carnaval e o consumo expressivo de bebidas durante os festejos, a atuação dos catadores de materiais recicláveis é impactada pela abundância no volume de resíduos, como garrafas de vidro, plástico e latas de alumínio. Nesse período, a ação destes trabalhadores se intensifica e se torna mais rentável, considerando a quantidade de material coletado. Se as ruas estão mais limpas para os foliões, muito é devido ao trabalho destes.
Em Belo Horizonte (MG), onde o Carnaval já é um dos maiores do país, a articulação das cooperativas e associações de reciclagem para a coleta seletiva durante a folia é feita pelo ReciclaBelô. Neste ano, a operação contará com quatro centros de triagem na capital, que funcionarão como pontos de apoio para os catadores, com distribuição de uniformes, protetor solar e alimentação ao longo do dia.
O Carnaval é um dos momentos mais aguardados pelos catadores, principalmente os autônomos, por representar uma chance de ampliar a renda devido ao aumento no volume de materiais coletados. E, em cidade como Belo Horizonte, há um ganho adicional com a cota mínima.
Na capital mineira, a dinâmica de remuneração prevê que o catador ou catadora que atingir uma cota mínima diária de material reciclado receba R$ 150 por dia. O que ultrapassar essa cota será pesado e contabilizado como valor extra. Dessa forma, a expectativa é aumentar o volume de recicláveis coletados e incentivar o cadastro desses trabalhadores.
Entre as entidades presentes na operação está a Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável) que participa do trabalho de coleta e triagem dos recicláveis gerados nos blocos e nas ruas belorizontinas e será responsável por uma das centrais.
“O Carnaval é quando aparece mais material e isso faz diferença no bolso, principalmente para quem é autônomo. A gente se prepara, porque é uma oportunidade real de melhorar a renda e oferecer, nas centrais, o suporte para esse trabalho fundamental para a festa”, afirma Getúlio Andrade, cooperado da Asmare.
Abrasel e ANCAT relançam campanha para dar visibilidade aos catadores
A agenda de valorização desses profissionais avança no plano nacional com a campanha “De mãos dadas com catadores”, que será fortalecida ao longo de 2026 pela Abrasel em parceria com a Associação Nacional de Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT).
A iniciativa tem como foco ampliar a visibilidade de quem atua na base da cadeia da reciclagem e estimular uma relação mais respeitosa entre a população, os estabelecimentos do setor de alimentação fora do lar e os catadores.
Para o setor de bares e restaurantes, a aproximação com os catadores é parte de uma agenda prática de sustentabilidade porque além de contribuir para a destinação correta de materiais como latas e PET, fortalece a cadeia produtiva e melhora a qualidade do reciclável que retorna ao ciclo.
“Quando falamos em sustentabilidade no setor, não existe avanço real sem reconhecer quem está na ponta, fazendo a coleta acontecer. A campanha ‘De mãos dadas com catadores’ é um convite para que o setor e as pessoas enxerguem esses profissionais como parte essencial da cadeia produtiva com respeito, acolhimento e colaboração”, afirma Luiza Campos, líder ASG da Abrasel.
“Juntamente com a Abrasel, a Ancat valoriza a campanha ‘De mãos dadas com catadores’, reforçando a relação de parceria e compromisso dos catadores e catadoras de materiais recicláveis com toda a rede de estabelecimentos do setor de bares e restaurantes do Brasil”.
“Os catadores são os principais protagonistas que atuam como agentes e educadores ambientais, e devem ser enxergados como prestadores de serviços, e remunerados pelo trabalho exercido, com preço justo, especialmente em eventos como o Carnaval, onde milhões de pessoas se divertem e o volume de material reciclável é altamente expressivo”, comenta Roberto Rocha, presidente da ANCAT.
Fonte: ABRASEL