Setor produtivo assume protagonismo na redução da poluição plástica
Empresa brasileira transforma sobras industriais em matéria-prima para plástico bolha, reduzindo dependência de insumos virgens e promovendo economia circular
3 de fevereiro de 2026
A dificuldade de avançar em acordos globais para combater a poluição plástica tem reforçado o papel do setor produtivo na adoção de soluções práticas e imediatas. Mesmo com anos de debate em fóruns internacionais, ainda não há consenso sobre regras que abranjam de forma efetiva todo o ciclo de vida dos plásticos, da produção ao descarte.
A ausência de diretrizes claras ocorre em um contexto de agravamento dos impactos ambientais, econômicos e sociais associados ao plástico. Estimativas recentes realizadas pelo The Lancet¹ apontam que os custos globais relacionados à poluição plástica já atingem patamares trilionários, além de efeitos diretos sobre a saúde pública e os ecossistemas. O cenário evidencia a urgência de modelos produtivos mais eficientes, circulares e responsáveis.
Nesse contexto, iniciativas do setor produtivo passam a integrar o debate sobre sustentabilidade. É o caso da Maximu’s Embalagens Especiais, fabricante brasileira de embalagens plásticas para os setores automotivo, hospitalar e eletrônico, que passou a investir em reciclagem avançada e no reaproveitamento de resíduos industriais.
Desde a implantação de uma extrusora recicladora, há cinco anos, a empresa já enviou para o processo de reutilização 952,5 toneladas das sobras geradas na fábrica. Com isso, 100% desses resíduos voltaram como matéria-prima para a fabricação de plástico bolha. A estratégia reduz a geração de resíduos, diminui a dependência de insumos virgens e contribui para ganhos operacionais, ambientais e econômicos.
Para Márcio Grazino, diretor da Maximu’s Embalagens Especiais, o foco do debate precisa sair da polarização em torno do material e avançar para soluções estruturais. “O plástico é fundamental para inúmeras aplicações industriais e hospitalares. O problema não está no material, mas na forma como ele é gerido. Sem incentivo à reciclagem, logística reversa e educação ambiental, continuaremos tratando sintomas, não causas”, afirma.
Segundo o executivo, embora iniciativas corporativas sejam fundamentais, elas não substituem a necessidade de políticas públicas consistentes. “A indústria pode inovar e fazer a sua parte, mas o avanço real depende de um ambiente regulatório claro, incentivos adequados e responsabilidade compartilhada. Só assim será possível escalar soluções e gerar impacto significativo”, completa.
Fonte:¹ https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(25)01447-3/abstract
Fonte: Assessoria