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Foto: Divulgação

Sete em cada dez brasileiros já usam Inteligência Artificial no trabalho, aponta pesquisa

Estudo da PwC mostra que 70% dos profissionais no Brasil utilizaram alguma ferramenta de IA nos últimos 12 meses, superando média global

28 de janeiro de 2026

O Brasil desponta como um dos países mais abertos ao uso da inteligência artificial no ambiente de trabalho, superando a média global tanto em adoção quanto na percepção de ganhos. Ainda assim, o avanço ocorre de forma desigual: enquanto cresce o uso pontual da tecnologia, a integração diária aos processos produtivos segue limitada. Esse descompasso revela tanto o estágio de maturidade do mercado quanto uma janela estratégica para empresas que buscam produtividade, inovação e vantagem competitiva.
Dados de uma nova pesquisa da PwC, realizada em 48 países e obtida com exclusividade pelo Valor, mostram que 70% dos profissionais brasileiros utilizaram alguma ferramenta de IA ao menos uma vez nos últimos 12 meses. No cenário global, esse percentual é de 54%. A avaliação dos impactos também é mais favorável no Brasil: 83% dos usuários relatam melhora na qualidade do trabalho e 79% apontam aumento de produtividade, índices superiores às médias globais, de 75% e 74%, respectivamente.
O levantamento ouviu 49.843 profissionais entre julho e agosto de 2025, dos quais 45% ocupam cargos de liderança. Apesar dos números expressivos, a pesquisa indica que o uso contínuo da tecnologia ainda é restrito. Apenas 30% dos brasileiros afirmam utilizar IA diariamente, frente a 14% na média global. O dado sugere que a tecnologia já faz parte do repertório profissional, mas ainda não foi plenamente incorporada à rotina operacional das organizações. “Empresas que equilibram controle organizacional e autonomia individual não apenas protegem seus talentos, como também criam vantagem competitiva: equipes saudáveis são mais inovadoras, adaptáveis e capazes de manter alta performance sob pressão”, afirma Andre Purri, CEO da HRTech Alymente.
Há também uma sensação crescente de exaustão entre os profissionais. No Brasil, 39% relatam fadiga e estresse no trabalho, percentual que sobe para 45% no cenário global. Esse contexto afeta diretamente a produtividade e limita o espaço para inovação, especialmente em processos que exigem aprendizado contínuo e experimentação, como é o caso da inteligência artificial.
Outro ponto crítico revelado pela pesquisa é a relação entre liderança e confiança. Menos da metade dos profissionais afirma confiar plenamente em seus gestores ou sentir que questões de bem-estar são consideradas nas decisões corporativas. Sem esse vínculo, a adoção da IA tende a ser mais superficial, já que os profissionais se mostram menos propensos a acreditar no discurso organizacional sobre os benefícios da tecnologia e mais inseguros diante das mudanças nos processos de trabalho.
O avanço da inteligência artificial no Brasil revela, portanto, um paradoxo: o país está entre os mais abertos à experimentação tecnológica, mas ainda enfrenta desafios estruturais para transformar adoção em impacto sustentável. Para as empresas, o recado é claro: o futuro do trabalho não será definido apenas pela sofisticação das ferramentas, mas pela capacidade de integrar tecnologia, gestão e bem-estar em um mesmo projeto de transformação.

Fonte: Assessoria