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Foto: Divulgação

IA, personalização e expansão fora de condomínios: tendências para o varejo de proximidade em 2026

Segmento deve acelerar uso de inteligência artificial para segurança e ofertas personalizadas, além de expandir para ambientes corporativos e hotéis, aponta CEO da InHouse Market

28 de janeiro de 2026

O último ano consolidou a expansão do varejo de proximidade no Brasil, impulsionado pela busca do consumidor por conveniência, acesso rápido e soluções integradas ao dia a dia. Dados da Associação Paulista de Supermercados (APAS) indicam que a modalidade liderou as aberturas do setor supermercadista em 2024, representando mais de 50%.

Leonardo de Ana, cofundador e CEO da InHouse Market, rede líder em mercados autônomos 24h no Brasil com mais de 1800 unidades inauguradas em mais de 320 cidades, compilou alguns tópicos que podem entrar em alta no setor em 2026: “Para você analisar um tipo de tendência para ver se é duradoura, basta olhar pros próximos 10 anos e verificar se a sua solução continuará resolvendo uma dor”.

Inteligência Artificial na segurança

Leonardo conta que, para 2026, o varejo de proximidade deve acelerar a adoção de tecnologias baseadas em dados, eventos e inteligência artificial, com foco em eficiência, segurança e previsibilidade operacional. Hoje, as perdas em mercados autônomos variam, em média, entre 3% e 5%, concentradas principalmente em furtos, além de vencimentos e avarias. “Com o avanço do monitoramento inteligente, o cenário muda”, diz.

“Sistemas passam a acompanhar toda a jornada do consumidor dentro da loja, da entrada ao pagamento, transformando cada interação em um evento analisável, como a abertura de geladeiras, retirada e devolução de produtos, alteração de quantidades no carrinho e a conclusão ou não da compra”, explica Leonardo.

Com o uso de algoritmos de IA, esses eventos são classificados e ranqueados por níveis de risco, permitindo alertas em tempo real, atuação preventiva e uma gestão muito mais precisa das perdas. Em estágios mais avançados, a tecnologia viabiliza até o pré-débito automático de produtos identificados como não pagos, condicionado a cartões previamente cadastrados, o que pode eliminar a possibilidade de furto.

O executivo considera que a consolidação de módulos avançados de IA, com reconhecimento facial e análise preditiva, deve elevar os mercados autônomos a um novo patamar de controle, escalabilidade e tomada de decisão orientada por dados.

Personalização no varejo com cruzamento de dados

Segundo a 4ª edição da pesquisa Panorama da Fidelização no Brasil, realizada pelo Tudo Sobre Incentivos (TSI) em parceria com a ABEMF, 78,3% dos consumidores consideram ofertas, benefícios e comunicações personalizadas um fator decisivo para seguir consumindo a mesma marca. “Quando a gente olha para esses dados, fica claro que não dá mais para trabalhar com ofertas genéricas. No varejo de proximidade, a personalização aumenta engajamento, recorrência e faz o cliente voltar porque sente que a experiência foi pensada para ele”, diz Leonardo.

O uso intensivo de dados e inteligência artificial também é vista como viabilizadora deste processo. Com tecnologias como reconhecimento facial, os sistemas passam a identificar o consumidor logo na entrada da loja e cruzar informações comportamentais e demográficas, como perfil de consumo, frequência de compras, horários, localização e preferências individuais.

A partir dessa base de dados, o varejo deixa de operar com promoções genéricas e passa a oferecer ofertas personalizadas em tempo real. O consumidor recebe sugestões alinhadas ao seu histórico, com recomendações específicas de produtos, combos e incentivos que fazem sentido para o seu padrão de compra.

Esse modelo permite ações de cross-sell e up-sell muito mais eficientes, aumentando o ticket médio e a recorrência.

Além de potencializar vendas, a personalização também orienta decisões estratégicas do negócio, como a introdução de novos produtos e o ajuste da prateleira de acordo com a demanda real de cada loja. “A tendência aponta para um varejo cada vez mais individualizado, no qual cada cliente passa a ter uma experiência única, construída a partir de dados, tecnologia e inteligência de consumo”, diz Leonardo.

Crescimento fora de condomínios

Leonardo explica que os grandes centros urbanos seguem como o principal motor do varejo de proximidade no Brasil, sem mudanças relevantes nesse eixo. Capitais como São Paulo e Rio de Janeiro continuam liderando a expansão, especialmente na região Sudeste, enquanto outras praças ganham tração de forma gradual.

O que muda de forma estrutural é o perfil dos pontos de instalação. Além dos condomínios residenciais, que hoje concentram entre 90% e 95% dos mercados autônomos da InHouse Market, cresce rapidamente a presença em ambientes corporativos, academias, hotéis e outros espaços de alta circulação. Esse segmento, que representava cerca de 3% a 4% do total, já se aproxima de 10% e deve alcançar aproximadamente 30% do mercado nos próximos cinco a dez anos, segundo levantamento da InHouse.

“A retomada do trabalho presencial, o aumento da frequência em academias e a normalização das viagens no pós-pandemia impulsionam essa expansão”, revela o executivo.

Fusões e aquisições no setor

A partir de 2026, o setor deve entrar em uma fase mais intensa de consolidação, marcada por fusões e aquisições entre empresas de tecnologia, operadores e redes de varejo. Para Leonardo, o movimento tende a acelerar ganhos de escala, ampliar cobertura geográfica e concentrar investimentos em inovação, criando players mais robustos e competitivos em um mercado cada vez mais profissionalizado.

Fonte: Assessoria