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Foto: Freepik

Personalização no varejo: como transformar dados em relevância, sem invadir a privacidade

A personalização eficaz combina dados próprios bem tratados, ferramentas acessíveis e respeito à LGPD

26 de janeiro de 2026

A promessa da personalização no varejo saiu do discurso e entrou no caixa. Relatórios recentes mostram que experiências mais relevantes elevam conversão e ticket; não por acaso, marcas vêm priorizando recomendações, ofertas e jornadas ajustadas ao perfil do cliente. Um estudo global da Twilio Segment indica que consumidores gastam, em média, 54% a mais quando recebem interação personalizada e 61% estão dispostos a compartilhar dados se perceberem valor claro na troca.

A consultoria McKinsey reforça a direção: companhias que acertam a mão em personalização aceleram crescimento e fidelidade, e o tema vem ganhando peso estratégico desde 2021 no seu relatório “Next in Personalization”. O recado é simples: personalização efetiva não é “mimo”, é mecanismo de geração de receita e retenção.

O que e cabe no bolso do varejo brasileiro

Para pequenos e médios negócios, o caminho começa com primeiros dados (first-party): histórico de compras, preferências declaradas, respostas a e-mails e navegação no site/app. Com base nisso, dá para dar três passos de alto impacto:

  • Segmentar e recomendar: destacar categorias e produtos por afinidade e recorrência, priorizando quem tem maior propensão a comprar agora.
  • Orquestrar jornadas: recuperar carrinhos com mensagens diferentes por motivo (preço, prazo, confiança), ajustar a homepage conforme o visitante e usar retargeting contextual (sem depender de cookies de terceiros).
  • Fidelidade que vale a pena: benefícios e desafios ajustados ao perfil (recorrência, mix comprado, ticket), com comunicação clara dos “porquês” de cada oferta.

Essas iniciativas estão ao alcance de ferramentas em nuvem (CRM, e-mail e módulos de recomendação) com custo mensal e implementação progressiva, modelo que o próprio mercado de martech impulsionou nos últimos anos. O ganho esperado: mais conversão e maior valor por cliente, como apontam Twilio e McKinsey ao analisar cases e benchmarks globais.

LGPD não é obstáculo — é diretriz

No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) define as regras para coletar, tratar e armazenar informações pessoais. Para personalizar de forma responsável, três princípios são inegociáveis: transparência, consentimento válido quando necessário e finalidade legítima (sem usar o dado para algo que não foi informado). A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) mantém guias e notícias sobre boas práticas — referência útil para revisar formulários, políticas e fluxos de opt-in/opt-out.

Medir e ajustar continuamente

Personalização não é “configurar e esquecer”. Vale acompanhar indicadores como taxa de conversão por segmento, incremento de receita atribuída às recomendações, engajamento por jornada e satisfação/NPS. Quando a personalização piora a experiência (excesso de mensagens, ofertas sem contexto), os sinais aparecem rápido — queda de abertura/click, aumento de descadastros e piora na percepção de marca. Aqui, testes A/B e controles por grupo são essenciais para separar correlação de causalidade, como recomendam as boas práticas sintetizadas por McKinsey.

A personalização eficaz combina dados próprios bem tratados, ferramentas acessíveis e respeito à LGPD. O varejista que conecta essas peças tende a capturar mais gasto por cliente e reduzir atrito ao longo da jornada, com evidências recentes de mercado sustentando essa escolha estratégica.

Fonte: CNDL