Economia Criativa: Um antídoto para a crise da imaginação e um caminho para negócios sustentáveis
Como novas economias – criativa, colaborativa, circular – podem transformar realidades locais e inspirar futuros possíveis, da Caatinga ao deserto do Atacama
26 de janeiro de 2026
A economia tradicional e contemporânea, tem gerado efeitos negativos na cultura autêntica, nas políticas públicas, na saúde mental, na desigualdade e justiça social, na democracia como soberania popular, no crescimento econômico sustentável, nos desastres naturais e até na capacidade da imaginação humana.
De forma dominante, a economia vem moldando o horizonte de possibilidades, para a maioria das pessoas, limitando a criatividade humana, a capacidade de pensar em mudanças e soluções sistêmicas imaginativas, para problemas globais. Não se pode mudar o mundo, mas podemos imaginar como seria o mundo em que vivemos, verdadeiramente melhor. Por isso não entre na crise da imaginação, pois só com a capacidade de imaginar é possível pensar em futuros e alcançar novos caminhos.
As possibilidades são imensas quando não se deixa guiar por um piloto automático, sem questionar, sem conhecer as novas economias – criativa, colaborativa, circular, compartilhada – que podem trazer melhores resultados e novas formas de fazer negócios, com sustentabilidade, inclusão social e colaboração.
O exercício da criatividade proporciona experiências inovadoras, até em situações de escassez de recursos. No Bioma da Caatinga as experiências colocam a natureza em primeiro lugar e a paisagem diferenciada nos leva para outro mundo, onde é possível participar de inúmeras aventuras ao ar livre tais como, caminhada, ciclismo, e até observação de pássaros e estrelas. É possível imaginar experiências gastronômicas ou até a experiência criativa no Museu de Arte e Ciência (MAC) da cidade de Campina Grande. Com o planejamento e a execução de um projeto inovador para 2026, MAC que será referência para outros museus, do Brasil e do mundo, com atividades que darão vida e resultados para a organização e para os que visitam. Sabemos que a coragem e a imaginação levam os inquietos e criativos a ousar em novos caminhos e libertar mentes, cansadas do convencional e do impossível.
Expandir o horizonte da imaginação também está ligado com a educação, a preparação para vislumbrar transformações sistêmicas, com a ousadia da qual somos capazes, com o poder das artes, dos nossos sentidos, da pluralidade de visões da realidade e possíveis cenários.
Vivemos um tempo acelerado, com múltiplas narrativas no espaço digital, que nos levam a polêmicas e contra-narrativas, impactando o nosso imaginário com sinais que nem sempre evidenciam o futuro. A busca pela ancestralidade enfatiza a importância da narrativa do passado, para dar significado à subjetividade humana da sobrevivência. Quando estabelecemos conexões com o passado e o presente, conseguimos ter mais clareza, sobre quais movimentos e quais histórias estão no imaginário coletivo.
Atitudes inovadoras e sustentáveis precisam fazer parte das mudanças estratégicas dos negócios, principalmente, nas atividades turísticas. É fundamental um programa inovador que reduza o uso de plástico descartável, nos meios de hospedagem e nas empresas de alimentação fora do lar. Está provado que é mais sustentável e econômico, disponibilizar o serviço gratuito de água de beber, em todas as empresas, do que eliminar milhares de garrafas descartáveis ao ano. Já pensou nisso?
No deserto de Atacama, no Chile, onde o recurso hídrico é escasso, já funciona o programa exitoso “eu encho minha garrafa”, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, além de reduzir o alto custo do lixo de milhões de garrafas de plástico. Nenhum turista no deserto de Atacama, compra água, apenas enche a sua garrafa.
Nos municípios da Paraíba, todas as empresas que compõem as rotas e roteiros turísticos, estão conscientes de que não devem utilizar descartáveis para os serviços de alimentação, nas experiências turísticas. Partindo do presente, há uma série de possíveis desdobramentos de futuros, que podem acontecer, que poderiam acontecer e que queremos que aconteça. Pensar futuros é expandir nossa visão para o que queremos, ao imaginar cenários. Um exercício para ampliar a nossa capacidade imaginativa e ter a capacidade de desaprender o modelo de pensamento linear. O que nos trouxe até aqui, não é o que nos levará adiante.

Foto: Linkedin
Sobre Regina Amorim
É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.
Fonte: Regina Amorim