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Foto: Divulgação

Marketplaces viram motores do consumo popular: o que explica o sucesso das plataformas asiáticas

Pesquisa da CNDL e SPC Brasil mostra como Shopee e Shein se tornaram protagonistas do consumo digital popular

21 de janeiro de 2026

As plataformas asiáticas não apenas conquistaram espaço no e-commerce brasileiro: elas redefiniram o padrão de consumo digital no país. Em poucos anos, marketplaces como Shopee e Shein deixaram de ser novidade para se tornarem pilares do consumo popular, atraindo milhões de compradores que encontram ali preços acessíveis, variedade quase ilimitada e uma experiência de compra construída sob medida para o comportamento do consumidor brasileiro.

A pesquisa “Consumo Multicanal — 2025”, realizada pela CNDL e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, evidencia a força desse movimento: 96% dos consumidores compraram em marketplaces internacionais no último ano, e a Shopee já é utilizada por 73% dos entrevistados. A Shein, voltada sobretudo para moda e lifestyle, alcança 37%, um número expressivo para uma plataforma especializada.

Mas o fenômeno vai além da estatística. Ele revela uma mudança sociocultural: o consumidor brasileiro, historicamente sensível a preço e acostumado a comparar, encontrou nesses marketplaces a combinação de custo-benefício agressivo, promoções permanentes e um modelo de recomendação que transforma cada visita em uma experiência personalizada.

Preço baixo, mas não só isso

É verdade que o preço foi o primeiro gatilho. Em um país de renda média comprimida, juros altos e consumo volátil, a promessa de “pagar menos” tem impacto imediato. Porém, se fosse apenas isso, a fidelidade não seria tão alta.

O sucesso das plataformas asiáticas está na construção de um ecossistema completo de sedução digital: cupons diários, gamificação, notificações personalizadas, cronômetros de oferta e uma vitrine infinita em constante atualização. Elas transformaram a compra online em uma rotina, quase um hábito diário, e não apenas em uma transação esporádica.

Uma das chaves das plataformas asiáticas é a capacidade de falar a mesma língua do consumidor,  no sentido literal e no sentido comportamental. A navegação é simples, visual e objetiva. O usuário encontra produtos baratíssimos com descrições diretas, vídeos de consumidores reais, avaliações extensas e fotos do “produto recebido”, um tipo de prova social que o brasileiro valoriza muito mais do que reviews técnicos.

Esse formato reduz inseguranças e aproxima o consumidor da plataforma. Ele se sente “em casa”, mesmo comprando de vendedores do outro lado do mundo.
E, quando encontra produtos que chegam no prazo, dentro da expectativa e com preço imbatível, a barreira psicológica desaparece.

O impacto logístico dos marketplaces

Outro ponto crucial é a evolução logística. As plataformas asiáticas investiram pesado em centros de distribuição no Brasil, acordos alfandegários e sistemas de rastreamento integrados. O que antes demorava 60 dias, hoje chega em semanas, às vezes, em dias.

Ao reduzir o tempo de espera, essas empresas conseguiram competir até mesmo com marketplaces nacionais. E quando o prazo ainda é maior, o preço compensa a espera. Para uma parcela significativa da população, o tempo deixa de ser um fator decisivo quando o desconto é grande o suficiente.

O crescimento de Shopee e Shein precisa ser entendido como fenômeno social, não apenas comercial. Elas democratizaram o acesso a produtos antes inacessíveis em muitos lugares do país: roupas de tendência, itens de decoração, ferramentas, acessórios eletrônicos, maquiagem e utilidades domésticas.

Para muitos consumidores, é a primeira vez que comprar algo “bonito” ou “da moda” se tornou financeiramente possível.
As plataformas ocuparam uma lacuna deixada por anos pelo varejo tradicional, especialmente em regiões com menor oferta de lojas físicas.

E o varejo brasileiro?

O desafio para o varejo nacional é grande. Concorrer apenas em preço é inviável; concorrer em experiência exige investimento; concorrer em logística exige escala. Mas o estudo também mostra uma janela de oportunidade: a confiança.

Quando questionados sobre os motivos que os levam a comprar novamente na mesma loja, os consumidores destacam:

  • boa experiência anterior,
  • confiança na marca,
  • transparência,
  • ausência de problemas.

É nessa camada de experiência, pós-venda e relacionamento que o varejo brasileiro ainda tem vantagem,  especialmente quando envolve troca fácil, atendimento humanizado e a possibilidade de receber o produto no mesmo dia. O consumo popular encontrou sua casa no digital e ela fala mandarim. Mas o varejo nacional ainda pode reagir, desde que aposte em diferenciação, qualidade percebida, transparência e uma jornada de compra sem fricção.

A disputa não será por quem tem o produto mais barato, mas por quem entrega a melhor experiência no final.

Fonte: CNDL