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Foto: Divulgação

Economia Criativa: como cultura e criatividade transformam territórios e geram desenvolvimento sustentável

Regina Amorim fala sobre como Casa do Béradêro, fundada por Chico César no sertão da Paraíba, é exemplo de como arte, música e turismo criativo podem incluir socialmente e impulsionar a economia local

19 de janeiro de 2026

A criatividade é um recurso ilimitado que contribui para o desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental dos territórios. Desenvolvimento é a capacidade de se fazer escolhas, mas também criar soluções e oportunidades para problemas específicos de uma sociedade.

É a capacidade inventiva que gera valor aos negócios, contribui para o desenvolvimento endógeno e amplia a criatividade humana, com liberdade e autonomia. Onde há competitividade, empreendedorismo, inovação e criatividade, há desenvolvimento, sem dependência econômica e política, sem destruição da cultura local e regional.

Os impactos da cultura e da criatividade para o desenvolvimento territorial geram bens e serviços de ampla circulação. Cultura é desenvolvimento, a partir das experiências comunitárias com a sua diversidade de saberes, hábitos e formas de viver nos territórios. São referenciais culturais, valores e simbologia, que contribuem para o desenvolvimento turístico, diferente dos grandes centros urbanos.

A população dos territórios precisa descobrir fontes de criatividade e de preservação da sua identidade cultural. A criatividade estimula a criação de novas e melhores maneiras de viver e trabalhar juntas. A superação da pobreza só poderá acontecer com a contribuição dos que vivem na pobreza, com a proximidade dessa população, nas tomadas de decisão, contribuindo para inspirar e orientar governos. Quanto maior a participação dos movimentos sociais, das comunidades, dos povos originários, nas tomadas de decisão, maior será a força da democracia.

Destaco o exemplo do Instituto Cultural Casa do Béradêro – ICCB, que há 24 anos vem gerando desenvolvimento sociocultural no município paraibano de Catolé do Rocha. É uma iniciativa exitosa do cantor e compositor Chico Cesar e da sua primeira professora de música, Iracy Barbosa de Almeida, irmã franciscana.

Criado oficialmente, no dia 16 de abril de 2001, ICCB é uma associação não governamental sem fins lucrativos, que desenvolve ações socioculturais para crianças e jovens carentes em Catolé do Rocha, sertão da Paraíba. Nesse mesmo ano de sua fundação, ICCB assumiu a “Orquestra Gente Que Encanta” como sua primeira ação concreta, projeto que tem a música como vetor de educação social. Atualmente ampliou suas atividades para outros segmentos da economia criativa, oferecendo oficinas de Capoeira, Dança, Artes Visuais e Teatro. Além dos cursos de música (violino, violoncelo, violão, viola, contrabaixo, flauta e canto coral), ICCB realiza oficinas de leitura, audiovisual e cineclubismo, reforço escolar, dança popular, balé, reciclagem de papel, artes plásticas, informática, capoeira, técnica de gravação e operação em estúdio.

Na luteria do ICCB, os profissionais em confecção e manutenção de instrumentos musicais de corda, clássicos e acústicos, repassam seus conhecimentos para as novas gerações de luthiers. Em 2022 o ICCB executou o projeto “Casa do Béradêro: 21 anos de inclusão sociocultural no sertão da Paraíba”.

A existência da Casa do Béradêro e o alcance do trabalho desenvolvido, desde sua fundação, em 2001, dá nome a um dos novos roteiros de experiências turísticas da Paraíba, denominado “Caminhos do Béradêro Sertanejo.” O roteiro turístico compreende os municípios de Catolé do Rocha, a “Terra de Chico César” e Brejo do Cruz a “Terra de Zé Ramalho”. O Acervo Cultural Zé Ramalho em Brejo do Cruz, é uma iniciativa do ativista cultural Aurílio Santos, com mais de mil itens, tais como: instrumentos musicais, roupas e discos do Zé Ramalho. O Memorial está localizado bem próximo da Pedra da Turmalina que está na letra da música “Avôhai” (avô e pai).

As descobertas para o turismo criativo e colaborativo têm sido associadas à autenticidade, criatividade e ao empoderamento de municípios paraibanos, contribuindo para o desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental. Para atuar no turismo criativo e colaborativo é preciso ver o invisível e valorizar a diversidade de experiências sociais e comunitárias, existentes nos territórios, pois criatividade, empreendedorismo e cultura são a base do empoderamento das comunidades.

Regina Amorim

Foto: Linkedin

Sobre Regina Amorim 

É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.

Fonte: Regina Amorim