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Uberização
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Motoristas de aplicativos podem economizar até R$ 3,7 mil por ano com nova regra do IR

Abatimento escalonado beneficia profissionais com renda intermediária. Motorista que ganha R$ 5,2 mil por mês pode economizar R$ 286 mensais, mostra estudo.

13 de janeiro de 2026

A crescente formalização de trabalhadores de aplicativos vem trazendo mudanças diretas na forma como os impostos são pagos. A legislação do Imposto de Renda passou a prever abatimentos escalonados para profissionais com rendimentos intermediários, um modelo especialmente relevante para motoristas de plataformas como a Uber, cuja renda mensal é variável e sujeita a picos e quedas sazonais. Com a mudança, muitos desses trabalhadores poderão reduzir de forma significativa o valor do tributo ao longo do ano, estimulando o planejamento financeiro e uma maior adesão às regras fiscais.

 

O modelo de desconto funciona de maneira progressiva: quanto mais próximo do teto de R$ 7.350, menor o benefício. Segundo estudo do escritório de contabilidade Confirp, motoristas que recebem R$ 5.200 por mês podem economizar R$ 286 mensais, somando mais de R$ 3,7 mil ao longo de um ano. Já profissionais com rendimentos próximos ao teto, como R$ 7.200, têm abatimento quase simbólico, de R$ 19,98 mensais. O cálculo segue a fórmula R$ 978,62 – (0,133145 x salário), criando uma escala que prioriza quem possui ganhos intermediários.

 

Segundo um levantamento da fintech GigU, a renda líquida dos motoristas varia conforme a cidade e a carga horária semanal. Em São Paulo, por exemplo, um profissional que trabalha 60 horas por semana registra lucro médio de R$ 4.252,24 após a dedução de custos como combustível e IPVA. No Rio de Janeiro, o valor é de R$ 3.304,93 para uma jornada de 54 horas, enquanto em Belo Horizonte o lucro gira em torno de R$ 3.554,58 na mesma carga horária. “É uma jornada de trabalho exigente, mas a autonomia e a rentabilidade — que superam algumas ocupações tradicionais — acabam sendo grandes atrativos”, afirma Luiz Gustavo Neves, co-fundador e CEO da plataforma.

 

Apesar de a regra já estar em vigor, seus efeitos só serão percebidos na declaração anual, quando os rendimentos de 2026 forem informados em 2027. A expectativa é que, além de reduzir a carga tributária de muitos motoristas, a medida contribua para ampliar a consciência sobre planejamento financeiro e responsabilidade fiscal entre trabalhadores de aplicativos — um grupo que historicamente enfrenta dificuldades para se enquadrar nas regras tradicionais do Imposto de Renda.

 

O cenário revela um ponto central: à medida que a economia digital amplia oportunidades de trabalho flexível, a legislação fiscal precisa acompanhar essas transformações para oferecer mecanismos mais justos e adequados. A nova regra não apenas reduz impostos, mas também sinaliza uma adaptação necessária do sistema tributário às mudanças no mercado de trabalho.

Fonte: Assessoria