50 milhões de brasileiros já usam inteligência artificial, mas desigualdade limita impacto social
Pesquisa TIC Domicílios aponta que 32% dos conectados utilizam IA, mas acesso é concentrado em classes mais altas; nas classes D/E, índice cai para 16%
9 de janeiro de 2026
O Brasil atingiu um marco relevante no uso da inteligência artificial (IA) generativa: 50 milhões de pessoas já recorrem à tecnologia, o equivalente a 32% dos brasileiros com acesso à internet. Por trás desse número expressivo, porém, há uma disparidade preocupante. O uso da IA está concentrado principalmente entre as classes mais altas e indivíduos com ensino superior, enquanto nas classes D e E o índice cai para 16%. Dados da Pesquisa TIC Domicílios, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), indicam que a tecnologia, embora popular, tende a aprofundar desigualdades sociais já existentes.
Entre os usuários de IA, 84% utilizam a ferramenta para fins pessoais, 53% para pesquisas escolares ou acadêmicas e 50% para atividades profissionais. No universo de estudantes de escolas e universidades, 86% recorrem à IA para trabalhos acadêmicos, evidenciando o papel crescente da tecnologia na educação e na construção de vantagens competitivas no aprendizado.
A desigualdade se torna ainda mais evidente ao analisar o grupo que não utiliza a IA. Entre aqueles com até o Ensino Fundamental, 65% apontam falta de habilidade como principal barreira, e 63% mencionam desconhecimento sobre a ferramenta. Outros motivos incluem desinteresse ou falta de necessidade percebida (76%), preocupações com segurança ou privacidade (63%) e desconhecimento sobre a própria existência da tecnologia (52%). O levantamento sugere que o obstáculo não é apenas econômico ou educacional, mas também cultural, com uma parcela significativa da população sem acesso à capacitação necessária para se apropriar dos recursos digitais.
Os dados mostram que a expansão da IA no país ainda não se traduz em igualdade de oportunidades. O uso concentrado em grupos socialmente mais favorecidos indica que a tecnologia tende a reproduzir e, em alguns casos, ampliar — disparidades já existentes. Para Eduarda Camargo, Chief of Growth Officer da Portão 3 (P3), quem domina a IA ganha vantagem em estudo, trabalho e acesso à informação, enquanto os menos instruídos correm o risco de se tornar ainda mais marginalizados em um mundo cada vez mais automatizado e digitalizado.
“Reduzir essa lacuna será fundamental para democratizar o potencial da inteligência artificial, integrando a tecnologia às escolas, a programas de capacitação e a políticas públicas de inclusão digital. Caso contrário, o avanço tecnológico continuará refletindo e reforçando desigualdades, transformando a IA em mais um fator de exclusão e limitação do desenvolvimento social”, afirma.
Fonte: Assessoria