Mayana Neiva: “Felicidade genuína é fazer o que eu amo fazer, é estar conectando a minha alma, meu propósito, com a minha profissão”
Atriz amplia horizontes artísticos e revela nova fase criativa na entrevista abaixo
8 de janeiro de 2026
A atriz, diretora, cantora, palestrante e produtora cultural Mayana Neiva é reconhecida por sua atuação marcante no teatro, cinema e televisão brasileira. Recentemente ela apresentou ao público mais uma vertente artística, desta vez no mundo da música, ao cantar no Concerto de Natal em João Pessoa, acompanhada da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa, da Big Band 5 de Agosto e Companhia Municipal de Dança de João Pessoa.
Mayana tem sua carreira pautada pela versatilidade e pela pesquisa artística, construindo trabalhos que transitam entre produções populares e projetos autorais consolidando-se como uma artista inquieta, sensível e profundamente conectada com a cena contemporânea. Em uma conversa aberta e significativa, espelhando sua personalidade madura e consciente de seu papel no mundo, a artista fala sobre busca interior, meditação, contato com a natureza e como esses elementos lhe ajudam a crescer enquanto ser humano.
Mayana, você já mencionou que a meditação foi “uma das maiores revoluções da sua vida” e que começou a praticar após uma experiência difícil em Nova York, que mudou sua relação com si mesma. Como a prática diária da meditação tem influenciado sua forma de encarar desafios e emoções hoje?
A meditação é uma abertura, por onde a gente é capaz de respirar livre das percepções que nos apertam. Então, assim, meditação é um recurso para voltar para o nosso estado natural. Então, eu sinto que esse exercício de abrir a visão que a meditação traz, ela possibilita muita força na vida e mudou a minha vida, me deu um chão, me deu uma base, me deu recursos para não me misturar com tudo que acontece e lembrar que eu tenho uma escolha. Dar um passo atrás e olhar para as coisas com mais espaço ajuda a gente a viver. A mente que cria o problema não é a mesma mente que resolve. A meditação me faz acessar essa mente que resolve o problema, sabe? Então, ela areja a minha vida de muita força.
Em várias ocasiões você também falou sobre o contato com a natureza como um caminho de cura e interiorização, inclusive durante a pandemia, quando passou mais tempo no campo. Que papel a natureza desempenha na sua rotina de autoconhecimento e na construção da sua felicidade genuína?
A natureza é esse lugar onde as coisas já repousam no estado de abertura, né? Você vai para a natureza e só de botar o pé no chão, no verde, e você tá num espaço, quando você tem um horizonte já te coloca no ritmo natural, né? Acho que o ser humano com essas metas e lugares imaginários de sucesso, a gente vive rodando que nem um rato atrás do próprio rabo, em direção a um lugar que a gente não sabe qual é, e a natureza, ela faz o convite para a gente estar simplesmente na presença, e é dentro do presente que a vida se oferece, que a vida floresce, né? Dentro do presente que a vida floresce. É dentro do aqui e agora que acho que a natureza para mim faz esse convite para a gente, por isso que eu acho que faz tão bem para mim estar perto dela.
Em suas palestras você aborda temas como “A Felicidade Não Está Lá Fora” e lideranças conscientes. Como você define felicidade genuína na sua vida hoje, e de que forma isso se manifesta em suas escolhas pessoais e profissionais?
Felicidade genuína é fazer o que eu amo fazer, é estar conectando a minha alma, meu propósito, com a minha profissão. Quando eu falo essa palestra, quando eu vou dar a palestra, eu tenho um flow que eu sinto que eu me preparei a vida inteira para o compartilhar desse momento. Passei anos estudando, 12 anos dentro do Budismo Tibetano, fazendo cursos, fiz pós-graduação no Einstein, gestão emocional nas corporações, tudo isso para ir me habilitando a compartilhar esse lugar, que tem sido a minha busca diária, desde que eu me entendo por gente, essa busca pelo alinhamento do nosso propósito e da conexão que isso tem com a nossa felicidade genuína. Então, “A Felicidade Não Está Lá Fora” é um presente que eu amo compartilhar com as pessoas, é uma descoberta, é como vestir meu coração pra fora, é o melhor de mim ali, que eu sei que posso ofertar.
Sobre a importância da escuta interior e da presença plena como ferramentas para lidar com o sofrimento e com a vida cotidiana, quais práticas você recomenda para pessoas que estão começando agora a explorar meditação e autoconhecimento?
Muitas vezes é isso, a presença. Só a presença parece simples, parece uma palavra meio banalizada, mas mesmo estando presente, a maioria das pessoas está entre a ansiedade do futuro ou melancolia do passado. Estar presente e no presente, olhando a vida nos olhos agora e entendendo o que está por trás de cada situação, que cada lição, que cada situação vem nos ensinar. Acho que é só estando no presente que a gente consegue estar vivo da maneira mais ampla, em contato com a nossa oitava superior, em contato com quem a gente verdadeiramente é, e não em contato com memórias ou passado ou futuro com tempos que já não existem mais. Então eu acho que o presente é a cura, o poder do agora, ele muito importante.
E nos tempos de hoje, onde a gente está sempre sendo levado em mil direções, mil grupos de WhatsApp, mil coisas acontecendo, a prática de uma respiração, uma meditação, uma oração, um caminhar na praia, um pé no chão na natureza pode trazer de reconexão, ele é muito importante. Pra mim esse caminho é o da meditação, mas eu sei que outras pessoas acessam de outras maneiras. Mas é importantíssimo que a gente tenha um caminho pra essa reconexão.
Sua trajetória inclui atuação, música, escrita e agora atividades de palestra e desenvolvimento pessoal. Ao refletir sobre essa multiplicidade de papéis, como você enxerga a integração entre arte, espiritualidade e propósito de vida?
Eu acredito que, para mim, essa é a tríade, essa integração entre arte, espiritualidade e vida. São as forças da minha vida que me conectam com a minha luz interior. Acho que a arte tem esse espaço para o claro e para o escuro dentro da gente, onde a gente expressa uma miríade de coisas. A meditação vai transmutar, transformar e ensinar pra gente qual é a lição que está por trás daquilo e a própria vida é o maior campo de aprendizado, todas as situações são salas de aula para a gente crescer, aprender, entender o que ali está sendo pedido para ser transformado em amor.
Eu me sinto muito feliz de hoje estar com esses dois projetos, “A Felicidade Não Está Lá Fora” e o show “Tá Tudo Aqui Dentro” porque são duas vias de vestir meu coração para fora, de falar da mensagem que me transmutou a vida e são duas coisas que eu tenho muito, muito orgulho de compartilhar com o mundo o melhor de mim, enquanto eu, como atriz, o prazer é estar atrás dos personagens, mas nesses novos projetos eu me sinto mais à frente dessa mensagem que é bem particular em algum lugar e bem ampla em outro, que eu sinto que toca o meu coração, mas quando a gente fala daquilo que nos transformou a gente fala do nosso melhor para o mundo.
Qual mensagem deseja compartilhar com quem acompanha seu trabalho e que espera começar 2026 com equilíbrio?
Gostaria de desejar um feliz ano novo para todos e dizer que a gente sempre é convidado para estar mais próximo do nosso coração. Tudo que expande nosso coração é nosso caminho e que a gente possa entrar no flow dessa alegria, desse propósito, dessa luz, que é o convite divino para cada um de nós, a nossa expressão, a nossa alegria genuína, e que a gente possa estar sempre aprendendo com o que chega, tentando decifrar as lições que a vida vem nos ensinar e construindo pontos de afeto nas relações.
Fonte: Vivass Comunicação