Planejamento tributário em janeiro ajuda a evitar erros no Imposto de Renda de 2026, diz especialista
Tributarista recomenda controle mensal de rendimentos e despesas; Receita Federal retém 8,7% das declarações em malha fina por inconsistências
7 de janeiro de 2026
O início de 2026 se aproxima em um cenário de maior rigor fiscal e avanço da digitalização dos processos tributários no Brasil. Nos últimos anos, a Receita Federal ampliou o uso de sistemas eletrônicos de monitoramento, declarações pré-preenchidas e cruzamento automático de dados, integrando informações enviadas por bancos, corretoras, empresas, operadoras de planos de saúde e outras fontes pagadoras. Os avanços tecnológicos permitem identificar com maior rapidez divergências entre os rendimentos informados pelas fontes e aqueles declarados pelo contribuinte, tornando o preenchimento correto do Imposto de Renda um desafio que começa muito antes do prazo oficial de entrega.
Dados da própria Receita Federal mostram que, ano após ano, um número significativo de declarações é retido em malha fina por inconsistências simples, como omissão de rendimentos, divergência de informações e erros na declaração de despesas dedutíveis. Entre 17 de março e 23 de setembro de 2025, das mais de 45,6 milhões de declarações recebidas, cerca de 3,97 milhões (8,7%) ficaram retidas em malha fiscal e ainda restam mais de 1,29 milhão (2,8%) em análise, com deduções médicas e omissão de rendimentos como principais motivos.
Segundo o advogado tributarista André Peniche, iniciar o planejamento do Imposto de Renda ainda em janeiro é fundamental para evitar inconsistências e complicações futuras na declaração. “Na maioria dos casos, o erro não está no preenchimento final da declaração, mas na ausência de controle mensal de rendimentos e despesas. Iniciar o planejamento em janeiro reduz de forma relevante o risco de informações incorretas e incoerências fiscais”, diz o advogado
Relatórios divulgados pela Receita Federal ao longo de 2025 também mostram que mais da metade dos contribuintes terminou a temporada do Imposto de Renda com direito à restituição, o que revela tanto a importância de uma declaração bem organizada quanto a necessidade de atenção aos dados entregues ao Fisco. Segundo balanço oficial, 56,4% das mais de 43 milhões de declarações entregues dentro do prazo resultaram em imposto a restituir, enquanto apenas 22,2% tiveram imposto a pagar, reforçando a complexidade do quadro fiscal para a maior parte dos contribuintes brasileiros.
Peniche reforça que a prevenção de inconsistências passa, necessariamente, pela organização contínua da documentação fiscal ao longo do ano. “Organizar informes de rendimentos, extratos bancários, comprovantes de despesas dedutíveis e documentos de compra e venda de bens de forma contínua facilita a conferência das informações e reduz o risco de divergências na declaração. Esse cuidado evita erros que muitas vezes só são identificados quando já é tarde para corrigir, como omissões ou dados incompatíveis com os informes das fontes pagadoras”, explica.
Além da renda tradicional, os investimentos exigem atenção redobrada na declaração do Imposto de Renda 2026. Aplicações em renda variável, como ações, ETFs e fundos imobiliários, bem como investimentos no exterior, fundos de investimento e ativos sujeitos a regimes específicos de tributação, demandam acompanhamento mensal para a correta apuração de ganhos, perdas e rendimentos tributáveis. A ausência desse controle ao longo do ano dificulta a compensação de prejuízos, a apuração correta de impostos devidos e o preenchimento consistente da declaração, aumentando o risco de divergências nos cruzamentos automáticos de dados realizados pela Receita Federal.
Para Peniche, a principal falha do investidor pessoa física está na falta de acompanhamento contínuo das operações, o que dificulta a apuração correta dos resultados e aumenta o risco de erros. “Manter um controle mensal detalhado de todas as operações é fundamental. Registrar compras, vendas, ganhos, prejuízos e os impostos pagos, inclusive no caso de investimentos no exterior, facilita a conferência das informações e reduz drasticamente a chance de inconsistências na declaração do Imposto de Renda. Esse acompanhamento ao longo do ano torna o processo mais seguro e evita surpresas quando chega o prazo de entrega”, orienta.
O advogado reforça que a antecipação traz mais do que conformidade fiscal. “O principal benefício de começar o planejamento em janeiro é a tranquilidade. O contribuinte ganha tempo para revisar informações, corrigir eventuais erros e até identificar oportunidades de planejamento tributário legal, sempre dentro das regras. Evitar a pressa do último momento é a melhor forma de reduzir riscos e garantir uma declaração segura”, conclui.
Fonte: Assessoria