Economia Criativa: como a inovação e a ancestralidade estão moldando o futuro do setor na Paraíba
Regina Amorim defende que o futuro do turismo pertence aos pensadores incomuns, capazes de conectar mercados, ideias e comportamentos com empatia
5 de janeiro de 2026
O turismo é a melhor oportunidade de compartilhar as experiências de um território e os novos mundos possíveis, de forma divertida e libertadora. Atuar em todos os municípios paraibanos para o desenvolvimento do turismo criativo e colaborativo, necessita de estímulo à criatividade e mente aberta para ideias ousadas e inusitadas. É desafiar o presente com visão de futuro e a integração com o passado.
Esse processo só acontece se for de dentro para fora, permitindo a mudança de mentalidade. É possível que se tenha uma mente inquieta, um coração que pulsa em busca de fazer diferente de tudo que já se conhece ou para construir o futuro no presente.
Aprender a expandir a nossa visão é olhar além do que já conseguíamos enxergar. É investir em nossa energia para buscar cenários desejáveis e novas formas de criar e inovar, sem visões viciadas do presente. É por meio da transformação de cada indivíduo que se constrói um coletivo melhor.
Turismo criativo e colaborativo tem o poder da beleza e da singularidade, para fazer o visitante se encantar e mergulhar na imaginação, na contação de histórias ancestrais, na imagem diferenciada, de como os protagonistas se apresentam, para além do conteúdo. A customização visual da narrativa, já é uma experiência, pelo ato de tornar um personagem único, uma marca diferenciada.
A inovação precisa tornar-se parte do dia a dia de qualquer negócio. Inovação tem a ver com novas maneiras de fazer as coisas. Viabilizar uma jornada de criatividade e inovação é um modelo flexível, onde cada empreendedor tem a liberdade de identificar várias possibilidades, com o que já está disponível no território. Ter conhecimento sobre o futuro do turismo é identificar demandas e necessidades dos viajantes, pois elas representam oportunidades de negócios para incrementar a infraestrutura turística e as experiências inovadoras.
O futuro vai pertencer às pessoas que treinam ver o que as outras não veem. É ter a capacidade de entender o presente e antecipar o futuro. As tendências podem nos ajudar a mudar nossa maneira de fazer e pensar, descobrir ideias incomuns e únicas, para a formatação de experiências turísticas.
Um bom profissional, não é um pássaro beija-flor que faz bate e volta no território. Ele precisa ser um excelente empreendedor, observador, questionador, que busca coisas interessantes, que vivencia o lugar com tempo disponível, que conversar com um desconhecido, desligar-se do celular para ver o mundo à sua volta, com empatia.
Tenho aprendido a usar o pensamento criativo para encontrar intersecções entre áreas, aperfeiçoando ideias novas e únicas. Evitar o pensamento estreito é mudar completamente a jornada. É misturar o poder de observação, com a compreensão do comportamento do consumidor e das tendências.
No mercado turístico atual há um aumento crescente por produtos autênticos com histórias interessantes, um desejo pela cultura de ancestralidade, que é a ponte de ligação do presente e do passado, a memória coletiva de um povo, com seus costumes, rituais, culinária, crenças, saberes e práticas transmitidas por gerações. Quando nos colocamos no lugar de outra pessoa e imaginamos suas histórias passadas e comportamentos, podemos ver o mundo de novas maneiras. O desconhecido no turismo abre a mente e contribui para sermos mais inovadores. Buscar intencionalmente destinos incomuns é permitir-se vivenciar novas experiências e conectar-se com o invisível.
As pessoas buscam experiências mais simples, que ofereçam um sentimento de afetividade que as façam lembrar de momentos mais confiáveis, de produtos e marcas memoráveis, que possam tocar e sentir. As pessoas desejam experiências autênticas e até imperfeitas, desde que sejam criadas com empatia e entregues por pessoas. As experiências turísticas que atendem aos portadores de necessidades especiais, e as práticas de ESG – ambiental, social e governança, permitem melhores resultados comerciais e atrai clientes mais exigentes e empoderados.
Enfim, o futuro do turismo vai ser dos pensadores incomuns, que usam o poder da observação para conectar mercados, ideias, comportamentos, e melhor compreender o presente.
Fonte: Regina Amorim