
Coleção inspirada no Maracatu marca os 20 anos da Natural Cotton Color
A coleção Calunga será desfilada em 13 de dezembro no Brasil Eco Fashion Week, em São Paulo. Além disso, a marca comemora a trajetória com exposição inédita
2 de dezembro de 2024
Após estrear em Milão, a coleção Calunga vai apresentar 30 looks na passarela em 13 de dezembro, em São Paulo. O desfile será no primeiro dia da semana de moda sustentável Brasil Eco Fashion Week (BEFW), no Centro de Convenções Frei Caneca. Durante o evento, a marca também vai realizar uma exposição comemorativa com 20 looks para destacar sua evolução no mercado nas últimas duas décadas.
“Além de desfilar a coleção 2025, queremos mostrar nosso percurso. Começamos com moda streetwear voltada para turistas em João Pessoa e hoje atuamos no segmento premium que nos levou para a o mercado internacional”, explica Francisca Vieira, fundadora e CEO da Natural Cotton Color. A exposição de 20 anos da marca inclui peças que evidenciam a interferência artesanal no design e os tecidos inovadores desenvolvidos com algodão colorido orgânico.
A coleção Calunga é inspirada do Maracatu — manifestação cultural carnavalesca e de raízes africanas. Também presta homenagem às comunidades quilombolas e assentamentos rurais da agricultura familiar que cultivam algodão orgânico por meio de contratos de compra garantida. As peças combinam alfaiataria clássica com toques artesanais e são assinadas por Francisca Vieira e Leo Mendonça, com consultoria criativa de Elis Janoville. As imagens do fashion film e do catálogo foram feitas no Quilombo Pedra D’Água, em Ingá, município com maior área de cultivo e do beneficiamento do algodão orgânico da Paraíba.
Tecidos inovadores e intervenção artesanal no design das peças
Nos últimos anos, a Natural Cotton Color desenvolveu tecidos únicos, incluindo um Denim sustentável, colorido, mas sem tingimento, e por isso tem patente pendente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial – INPI. Na semana de moda sustentável BEFW, um novo Denim de luxo feito com algodão colorido e resíduos de seda, que poderá ser conferido em saias e blazers. O tecido é obtido com fios de seda no urdume e algodão na trama. “Essa sarja sofisticada e de toque acetinado foi desenvolvida com a seda da Casulo Feliz, que utiliza casulos rejeitados pela indústria”, complementa Francisca.
Outras inovações incluem malhas feitas em tear circular com mistura íntima de seda e algodão, técnica que também foi usada para criar fios de algodão com linho, resultando em tecidos ideais para alfaiataria. O jacquard, desenvolvido pela Ecosimple, combina dois tons de algodão colorido e apresenta desenhos florais inspirados na chita, uma estampa tradicional nas manifestações da cultura popular do Brasil, como o Maracatu.
A coleção se destaca ainda pelos ricos detalhes artesanais, característicos da marca como renda renascença incrustada diretamente no tecido, renda de bilro, crochê e o bordado labirinto, patrimônio cultural da Paraíba. Nesta coleção, mais uma vez os acabamentos artesanais foram patrocinados pela Círculo. A coleção inclui ainda macramês, franjas e tessel, trazendo movimento às peças. Bolsas da Makano e sapatos da Pacoa complementam os looks na passarela.
Sobre o algodão colorido orgânico e certificações
Desde 2005, a empresa utiliza exclusivamente algodão colorido orgânico da Paraíba, sendo pioneira no setor sustentável e articuladora de toda a cadeia produtiva, do cultivo com contrato de compra garantida ao produto final. “O desfile e a exposição reafirmam nosso compromisso com a sustentabilidade e a valorização da moda de DNA brasileiro”, diz Francisca, que também está à frente do Projeto Algodão Paraíba que possui estande no BEFW, área onde lançará uma linha de cosméticos da marca.
Os modos de produção e as certificações credenciam a Natural Cotton Color como referência no setor de moda sustentável. O algodão orgânico tem certificação internacional e os produtos têm selo europeu de rastreabilidade e sustentabilidade Friend of the Earth. A base dos produtos é o algodão que já nasce nas cores bege, marrom e verde. Por não ser irrigado e nem tingido, a economia de água da cadeia produtiva é de 87,5% quando comparada a produtos similares na indústria da moda, de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Fonte: Assessoria