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Foto: Divulgação

Até então inédito no Brasil, primeiro livro de Maiakóvski é traduzido na íntegra

Tradução além dos textos e notas, foi feita por Astier Basílio, mestre em literatura pelo Instituto Púchkin, de Moscou

11 de julho de 2024

Será lançado nesta sexta-feira, 12, às 18h, no café da Usina Cultural Energisa, em João Pessoa, o livro , Eu!+ todos os poemas anteriores, de Vladimir Maiakóvski. A obra, até inédita para o público brasileiro, foi traduzida por Astier Basílio que preparou as notas e os textos da edição.

Maiakóvski estreou em livro em 1913 com a publicação de Eu!. O título em russo era o mesmo do único livro do poeta brasileiro Augusto dos Anjos que, por coincidência, havia lançado sua obra alguns meses antes. Além do livro de estreia de Maiakóvski, composto de quatro poemas longos, toda produção poética anterior, num total de mais dez textos, foi traduzida e comentada por Astier Basílio. “Ao optar por trazer todos os quatorze primeiros poemas de Maiakóvski, nosso objetivo foi oferecer ao leitor brasileiro a oportunidade de acompanhar a evolução do poeta que, inicialmente, compunha poemas seguindo os princípios da versificação e aos poucos foi introduzindo novos elementos e abrindo rupturas”, conta o tradutor no texto de apresentação da obra.

Foram traduzidos ainda trechos de A Nuvem de Calças , de Maiakóvski, além de poemas de outros autores com os quais o poema russo manteve uma relação intertextual a exemplo de Aleksandr Blok, Igor Sievieriânin, Innokenti Ânienski e Anna Akhamátova. No prefácio do livro, “O Maiakóvski da Rússia, o Maiakóvski do Brasil” Astier dá um testemunho do que viu nos seus sete anos morando na Rússia, não apenas na sua experiência como mestre em literatura russa pelo Instituto Púchkin e como doutorando pelo Instituto de Literatura Maksim Górki, mas partilha ainda as conversas que teve com poetas contemporâneos sobre o legado de Maiakóvski e de sua importância na Rússia nos dias de hoje.

No prefácio, foram feitas observações sobre o Modernismo Russo, período chamado de Era de Prata, que engloba correntes literárias diversas e não apenas a vanguarda futurista, em que Maiakóvski se insere. Um fato pouco conhecido, relevado no livro, é a influência de Walt Whitman na fase pré-revolucionária de Maiakóvski.

Foram traduzidos, ainda, trechos de críticas e depoimentos sobre Maiakóvski de nomes como Maksim Górki, Lili Brik, Malevich, David Burliuk com o objetivo de inserir ainda mais o leitor no universo poético deste que é o mais amado poeta russo no Brasil.

Sobre o tradutor

Astier Basílio é poeta, tradutor, jornalista, dramaturgo, cordelista e ficcionista. Mestre em literatura russa pelo Instituto Estatal Pushkin. Mora na Rússia desde 2017. Atualmente, é doutorando pelo Instituto de Literatura. Mantém uma coluna semanal no jornal A União, na qual escreve sobre poesia russa, ao todo já traduziu mais de 60 poetas.

Editou em forma de cordel suas traduções de Óssip Mandelstam Sal no machado, Maiakóvski, A palavra de vocês é o camarada Mauser, além de Escrevendo no escuro, uma micro antologia do underground soviético.

Teve traduções suas publicadas nas revistas Continente, Piauí, Rascunho, Correio das Artes e no suplemento Estado da Arte, do jornal Estado de São Paulo. Publicou 11 livros de poesia, entre os quais Funerais da Fala (Prêmio Novos Autores Paraibanos) e Finais em extinção (Prêmio Nacional Correio das Artes). Vencedor do prêmio nacional de dramaturgia da Funarte, em 2014, com a peça Maquinista, finalista do prêmio Sesc de Literatura, na categoria romance com Supermercado Brasil Novo.

Fonte: Assessoria