Ibovespa fecha janeiro com queda de 4,79% e destaca Gol, Casas Bahia e MRV
Cenáro reflete incertezas econômicas e políticas no país e no mundo
1 de fevereiro de 2024
O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa fecha janeiro com uma queda de 4,79%, refletindo o cenário de incertezas econômicas e políticas no país e no mundo. Segundo o site Investing.com, que oferece notícias, análises, cotações e ferramentas para investidores, os destaques negativos do mês foram as ações de empresas com problemas financeiros ou perspectivas de guidance menores do que o esperado pelo mercado, como Gol (GOLL4), Casas Bahia (BHIA3) e MRV (MRVE3).
A Gol, maior companhia aérea do Brasil, anunciou a entrada de recuperação judicial nos Estados Unidos para renegociar dívidas bilionárias com credores internacionais. A empresa afirmou que a medida visa proteger seus ativos e operações no exterior, mas não afeta suas atividades no Brasil. As ações da Gol caíram 28,65% em janeiro, sendo a maior baixa do Ibovespa.
Já as Casas Bahia, líder no varejo de móveis e eletrodomésticos, também sofreu com os seus passivos bilionários, que somam mais de R$ 10 bilhões. A empresa enfrenta dificuldades para honrar seus compromissos financeiros e vem negociando com bancos e fornecedores para evitar uma possível recuperação judicial. Além disso, a Casas Bahia foi impactada pela leve piora em boa parte da curva de juros brasileira, que encarece o crédito ao consumidor. As ações da Casas Bahia despencaram 25,71% no mês.
Enquanto isso, a MRV, maior construtora residencial do país, também decepcionou os investidores com as expectativas de uma possível correção no guidance da empresa para 2024, que deve ser anunciado no Investor Day, previsto para 7 de fevereiro. A MRV vem enfrentando desafios operacionais e de mercado, como a escassez de materiais de construção, a inflação dos custos e a concorrência acirrada no segmento de baixa renda. As ações da MRV recuaram 19,83% em janeiro.
No lado positivo, as ações ordinárias (ON) e preferenciais (PN) da Petrobras foram os destaques de alta do Ibovespa, subindo 11,57% e 10,95%, respectivamente, em janeiro. A estatal petrolífera se beneficiou da valorização de 4,56% do petróleo Brent no mês, que atingiu o maior nível desde fevereiro de 2020, acima de US$ 55 por barril. A Petrobras também anunciou a venda de ativos não estratégicos, como refinarias e campos de petróleo, para reduzir sua dívida e focar na exploração do pré-sal. As ações da Petrobras continuaram subindo em busca de recordes históricos no valor de mercado da empresa, que ultrapassou R$ 400 bilhões.
Outra empresa que se destacou positivamente no Ibovespa foi o Grupo Soma, dono de marcas de moda como Farm, Animale e Fábula. As ações do Grupo Soma dispararam 16,81% no pregão de hoje, após a divulgação de que a empresa está em negociações avançadas para uma fusão com a Arezzo, líder no segmento de calçados femininos. A fusão criaria um gigante do varejo de moda, com faturamento anual de cerca de R$ 4 bilhões e mais de 1.000 lojas no país.
Segundo o Investing.com, o Ibovespa “reflete o cenário de incertezas econômicas e políticas no país e no mundo” e os destaques negativos do mês são “uma repetição de 2023”.