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Economia Criativa, por Regina Amorim: Os novos modelos de negócios com a contribuição do projeto de economia criativa do Sebrae

27 de novembro de 2023

O projeto de economia criativa do SEBRAE é um mergulho na beleza, na sensibilidade e na afetividade de uma gestão criativa com identidades singulares. Uma das ações do projeto, consiste em realizar oficinas criativas e colaborativas que buscam contribuir para o desenvolvimento sustentável dos territórios, nas dimensões ambiental, social e econômica.

A construção de parcerias e sinergias nas oficinas criativas é um dos caminhos para os processos de troca de saberes e conteúdos entre atores da comunidade e os artesãos, que se enriquecem e se alimentam de suas diferenças, fortalecendo a relação de colaboração baseada na confiança, na habilidade de criar e entender o outro.

No mundo atual, onde a padronização e a uniformidade dominam o mercado, o artesanato e a gastronomia se destacam como uma alternativa que valoriza a individualidade e a originalidade.

A cultura, a história e os valores locais, contribuem consideravelmente para o sentimento de pertencimento e o estabelecimento de vínculos entre as pessoas e os lugares. É preciso estimular a produção cultural e as identidades territoriais, como fontes inesgotáveis de distinção e originalidade.

É com esse propósito que as oficinas de criatividade chegam aos municípios paraibanos, em parceria com as prefeituras municipais, artesãs, doceiras e agremiações carnavalescas, para de forma voluntária e colaborativa, fazer o repasse dos seus saberes, às pessoas da comunidade, inscritas nas oficinas.

A necessidade de qualificar os territórios cria vínculos entre os participantes que aprendem e os atores que ensinam, gerando confiança, protagonismo e empreendedorismo, num processo de inclusão e ampliação da capacidade criativa.

O artesanato tem diversas maneiras de se materializar a partir da sua utilização no turismo, na moda, na decoração, na gastronomia e em tantas outras possibilidades que conduzem a essas materializações, através da economia criativa.

Os resultados das oficinas possibilitam o surgimento de novos modelos de negócios sociais, em conexão com o turismo, a gastronomia, a literatura de cordel, a moda, ampliando a perspectiva de novos produtos no mercado, tendo por princípio a valorização da identidade, o fortalecimento da governança regional, compatibilizando a necessidade de desenvolvimento das pessoas, com a preservação cultural e ambiental.

A interação entre artesãos, estilistas, designers, artistas e consumidores possibilita a complementaridade de ideias para produzir inovações e fortalecer a sustentabilidade econômica das comunidades artesanais.

O artesanato tradicional guarda a memória de saberes e se renovam em experiências coletivas, que têm relação direta com a cultura local. Para os artesãos que não priorizam essa atividade, o artesanato não traz retorno imediato. Por isso é tão importante buscar a consultoria do SEBRAE, em gestão do negócio, visando colocar o produto no mercado e gerar resultados econômicos e financeiros.

Também é fundamental participar de uma rede de relações sociais, um coletivo multidisciplinar, para permanente troca de experiências, pesquisa de novos insumos e até a criação de novas tipologias de artesanato.

O bordado de labirinto, representa uma cultura tradicional de peças artesanais, que não se faz presente nas necessidades do mercado contemporâneo. Continuar fazendo peças de cama e mesa de labirinto é provável que o seu uso seja extinto em breve, porque o perfil do consumidor mudou. Mas é possível buscar novas oportunidades adequadas aos novos tempos, ampliar possibilidades de novas formas e usos, da maneira mais ampla possível.

A renovação sempre fez parte da dinâmica de permanência das culturas e dos saberes tradicionais, para manterem-se vivos por muitas gerações. Estar em rede com seus clientes é uma atitude estratégica para ouvir as necessidades e solucionar problemas. O atendimento sob medida é uma das principais fontes de pesquisa de ideias e desenvolvimento de novos produtos.

As oficinas de criatividade têm a capacidade de compreender as comunidades tradicionais, fortalecer o protagonismo e a governança regional, impulsionar a interação entre as pessoas, gerando ações criativas e estímulo a um ambiente favorável à criação e à inovação.

Sobre Regina Amorim

É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasília e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.