logo paraiba total
logo paraiba total
[gtranslate]
Consumo e Capitalismo Consciente, por Thaisa Bogoni: Pelo amor ou pela dor – Como atuar na nova economia

Consumo e Capitalismo Consciente, por Thaisa Bogoni: Pelo amor ou pela dor – Como atuar na nova economia

29 de novembro de 2022

Esta semana, em evento presencial da filial do Capitalismo Consciente aqui em Belo Horizonte, tivemos a satisfação de receber Hugo Bethlem e Daniela Garcia, respectivamente presidente do conselho e CEO do movimento no Brasil. Numa conversa informal e acolhedora, enquanto almoçávamos, ouvíamos diversas opiniões e experiências dos presentes sobre os desafios e urgências que temos como profissionais e cidadãos que acreditam que os negócios podem prosperar e ao mesmo tempo gerar impactos positivos na Nova Economia.

Dentre os assuntos pautados, Hugo nos trouxe sua visão sobre a atuação das empresas de forma objetiva, mas muito assertiva, classificando-as em duas categorias: aquelas que promovem o amor e cuidado na sua forma de gestão, ações, na maneira como lideram e como se relacionam com seus stakeholders, entendendo que há uma razão para existir atrelada a um propósito maior e que este não é estático. Pelo contrário, evolui conforme as fases de desenvolvimento de cada companhia e o amadurecimento pelos anos de mercado, combinados com fatores externos que podem ser compreendidos como oportunidades e ameaças, dependendo de cada caso. O foco deve estar em construir um legado que tenha bons resultados nos âmbitos financeiro, social e ambiental.

O segundo tipo são as empresas que causam dor e sofrimento por suas atitudes e omissões, que são pautadas por priorizar o lucro, o acúmulo de riquezas e poder a qualquer preço, pensando apenas nos ganhos dos acionistas e criando um clima de mercado acirrado pela competição e por disputas com concorrentes onde não há limites para se estar à frente, passando por cima de tudo e de todos em qualquer situação se isso significar estar em vantagem no final.

“Uma visão romântica”, muitos diriam sobre o primeiro tipo de empresas, como a Daniela compartilhou conosco que já ouviu em algumas ocasiões em que abordou o tema. Só que o que se propõe aqui não é apenas algo viável, mas também rentável e uma forma de garantir a saúde das empresas a longo prazo, pois não haverá como se sustentar sem incluir dentro dos objetivos e metas as questões prioritárias para o futuro do planeta e da humanidade, compreendendo que todos fazemos parte de um grande ecossistema onde temos papéis a cumprir.

Nova Economia – quem faz parte?

Todos nós já fazemos parte dela, ainda que nem todos tenhamos certeza do que se trata. O conceito da Nova Economia se popularizou nos anos 1990 no artigo criado por Michael J. Mendel intitulado “The Triumph of the New Economy – A powerful payoff from globalization and the Info Revolution”, que foi publicado na revista BusinessWeek. Sua abordagem relatava que o mercado mundial se encontrava num movimento em que deixava de ser focado no setor industrial e passar a priorizar os serviços. Atrelado a ideia de uma cultura centrada em pessoas, outras mudanças significativas estavam surgindo, como a indústria 4.0, a automação, a globalização, a popularização da internet e do Big Data, que promoveram uma velocidade de crescimento exponencial e imenso volume de dados disponíveis. Isso permitiu que os trabalhos repetitivos e monótonos passassem a ser realizados pelas máquinas e robôs, enquanto os humanos poderiam então se especializar nos trabalhos criativos, colaborativos e que promovessem experiências de bem-estar e encantamento aos clientes e usuários.

Outro destaque da Nova Economia seria justamente a ideia do desenvolvimento sustentável, em que as evoluções econômicas precisam estar alinhadas com os avanços sociais e a preservação ambiental, numa gestão inteligente de recursos para qualquer organização que pretende se manter perene e em constante evolução. Podemos destacar, mais recentemente, o avanço disparado do comércio eletrônico e a comunicação pelos canais digitais, que se tornaram praticamente indispensáveis com os fortes impactos causados pela pandemia. De acordo com artigo publicado pela FIA Business School, a Nova Economia pode ser definida por 7 princípios que permitem qualquer empresa atuar neste cenário, sejam as grandes corporações, buscando inovar e se adaptar a esta nova realidade, sejam os empreendimentos recém-criados, conhecidos como negócios disruptivos e startups, que já nascem moldadas neste formato:

1- Propósito – uma razão para existir que vá além do lucro;

2- O cliente é o centro – proporcionar experiências que permitam o seu encantamento e assim uma relação duradoura que permeie valores além da compra e venda;

3 – É possível criar uma demanda – ir além da expectativa do consumidor, inovando e antecipando desejos por possibilidades ainda inexistentes;

4 – Falhas e flexibilidade – se adaptar às oportunidades, corrigir rumos e pivotar, se necessário, adaptando e alterando as soluções oferecidas ao público rapidamente;

5 – Ambientes de incertezas – conduzir entregas que nunca estarão 100% prontas, em um mundo VUCA (do inglês Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity), com estratégias que permitam mudanças rápidas e soluções como o MVP (do inglês Minimum Viable Product), aprimorando versões testes com base nos feedbacks de potenciais clientes;

6 – Oportunidade na crise – em situações de inconstância ou ameaças inesperadas, pensar fora da caixa, analisar os cenários e tentar enxergar novas possibilidades para superar os desafios e se destacar no mercado;

7 – Inovar para continuar – a fórmula do sucesso não existe num mundo que evolui e se transforma permanentemente, por isso não se acomodar na zona do conforto, buscando se reinventar e estar aberto ao aprendizado constante fazem a diferença.

Cocriação para promover a sustentabilidade

Voltando ao evento que participei em BH, durante a conversa falamos também sobre a inteligência do compartilhamento de recursos pelas empresas, entendendo que o que para uma pode ser considerada resíduo, para outra pode se tornar matéria prima, num círculo virtuoso onde avaliam-se diversas possibilidades de reaproveitamento que criam meios se aprimorar processos e, inclusive, produtos. A comunicação entre empresas de diferentes setores cria diversos espaços para a cocriação que, com inovação e criatividade, pode beneficiar todos os envolvidos e reduzir os impactos negativos ao meio ambiente.

Através do diálogo entre os líderes presentes entendemos que a virada de chave está sempre na busca por sair do “piloto automático” e pensar e repensar sobre tudo que praticamos, que achamos que já sabemos como fazer, com um olhar amplo para inúmeras possibilidades que poderiam passar despercebidas. O caminho passa por aproveitar as expertises ao redor, trocar ideias e propostas por meio de parcerias, buscando soluções para usufruir da melhor forma possível da inteligência de todos os envolvidos. Mesmo aqueles que não querem ainda dar o braço a torcer, logo precisarão entender que as práticas mais sustentáveis e a atuação mais consciente são inadiáveis para todos. E aprender pelo caminho do amor é mais rápido, mais fácil e mais agradável do que pelo caminho da dor, que poderá inclusive, dependendo do momento de despertar de cada um, levar ao caminho sem volta da inexistência.

Perante os fatos e dados apresentados, nós, do Capitalismo Consciente, concordamos com o Hugo de que a melhor forma de avançar perante os desafios apresentados na Nova Economia é pelo amor e cuidado, pois como disse a falecida deputada britânica Jo Cox em seu primeiro discurso no Parlamento Britânico: “temos muito mais em comum uns com os outros do que coisas que nos dividem”. Precisamos acreditar e investir no bem coletivo para o nosso próprio bem, sejamos nós românticos ou realistas.

Sobre Thaisa Bogoni

Mãe do Otto, esposa do Diogo, curitibana que recentemente mudou de João Pessoa para Belo Horizonte, feminista integrante do Projeto LIS e yogi na horas vagas. Publicitária, especialista em Marketing e Gestão de Projetos com mais de 15 anos de experiência no mercado, atuando em diversos segmentos como educação e tecnologia. Apaixonada pela área de comportamento do consumidor, dedico minhas pesquisas à pauta do consumo consciente e moda sustentável. Conselheira do Instituto Capitalismo Consciente Brasil na filial Nordeste, busco contribuir com a expansão, ações e parcerias da região.