Economia criativa, por Regina Amorim: Entenda a importância da cooperação entre micro e pequenas empresas
22 de agosto de 2022
As transformações econômicas ocorridas nas últimas décadas têm estimulado as micro e pequenas empresas a readequarem as suas estruturas organizacionais, para acompanhar as transformações socioeconômicas ocorridas desde o fim do século passado. A partir de então, surgiu um novo padrão competitivo, marcado pela flexibilidade produtiva, aprimoramento contínuo de produtos e processos, parcerias com fornecedores, relacionamentos com os clientes, oportunidades tecnológicas, estratégias competitivas e colaborativas.
A cooperação entre as empresas gera benefícios que as tornam mais fortes e competitivas. Esses ganhos têm aumentado através da formação de redes de cooperação empresarial, alianças e parcerias estratégias, para vencer a evolução acelerada da inovação e atender às mudanças nas preferências dos consumidores. As micro e pequenas empresas nem sempre possuem todas as competências para manter-se competitiva no mercado. Por isso é fundamental implementar estratégias coletivas que permitam alcançar objetivos, que individualmente seria impossível.
O surgimento das redes de cooperação empresarial tem sido uma iniciativa exitosa para a competitividade das organizações, em todos os territórios desse planeta. As redes de cooperação é uma das melhores alternativas para solucionar os desafios das empresas, no cenário econômico atual, permitindo as conexões e a sua interdependência para o enfrentamento das dificuldades e a busca de soluções coletivas.
Um dos exemplos de redes de cooperação é a formação de redes associativas de micro, pequenas e médias empresas, com o objetivo de buscar soluções para as oportunidades e a superação dos problemas coletivos. As redes de cooperação formadas na Paraíba e no Brasil, têm rendido vários exemplos bem-sucedidos, nas suas mais diversas formas de atuação. Temos várias associações empresariais que se destacam pela sua capacidade de governança, colaboração e atitude mais inteligente de atuar no mercado, com mais visibilidade, fortalecimento em rede e o crescimento das empresas.
Uma dessas redes de cooperação é a ATURA – Associação de Turismo Rural e Cultural de Areia – PB, que coordena eficientemente as práticas colaborativas, buscando o comprometimento de cada associado e evitando o surgimento de privilégios entre eles. As redes de cooperação tendem a permanecer como modelo de identidade organizacional coletiva, das novas economias, com geração de ganhos competitivos e coletivos, quando comparados a outras organizações fora da rede.
Outro exemplo é a rede de Turismo Rural Consciente (TRC), criada no Brasil, em plena pandemia de 2020, que se constitui em uma verdadeira comunidade estratégica de conhecimento e gestão colaborativa, um ambiente favorável à interação entre empresários e as organizações, que compartilham experiências, informações e conhecimentos, pelas suas relações em rede.
As redes de cooperação empresarial têm contribuído para amenizar as dificuldades individuais das pequenas empresas, com relação a concorrências, desconhecimento de mercado, atualização tecnológica, capacitação de funcionários, acesso ao crédito.
As relações colaborativas resultam em ganhos para todos os envolvidos numa concepção de resultados coletivos e fortalecimento da competitividade das empresas associadas a uma rede. Por isso, quanto maior for o número de empresas em rede associativa, maior será a capacidade dessa rede em ampliar o seu poder de mercado, junto aos seus fornecedores e parceiros.
Uma das razões de sucesso das grandes empresas é que elas dominam e controlam o mercado. A formação de redes de cooperação pode ser considerada uma das melhores alternativas para tornar os pequenos negócios mais fortes, ter reconhecimento, credibilidade e legitimidade no mercado. Outra vantagem competitiva de estar em rede é ampliar a capacidade de atrair parcerias e oportunidades de negócios, facilitar o acesso aos mercados.
Nas redes associativas, o conhecimento e a aprendizagem coletiva, possibilitam aos indivíduos e empresas gerar, processar e transformar informações e conhecimentos, em ativos econômicos. As redes de cooperação fortalecem a aprendizagem coletiva e facilitam o processo de socialização do conhecimento.
Sobre Regina Amorim
É gestora de Turismo e Economia Criativa do Sebrae/PB. Formada em Economia pela UFPB, 1980, com Especialização em Gestão e Marketing do Turismo pela UNB – Universidade de Brasilia e com Mestrado em Visão Territorial para o Desenvolvimento Sustentável, pela Universidade de Valência – Espanha e Universidade Corporativa SEBRAE.