Papo de Vinho, por Natália Gaion: Cuidado com listas de transmissões com vinhos promocionais – sua bebida favorita pode ser produto do crime
Pode ser tentador quando recebemos de amigos aquela lista de vinhos premiuns com preços promocionais. Mas precisamos falar sobre vinhos falsificados, vinhos contrabandeados e sem procedência!
23 de junho de 2022
Recentemente a Polícia da Argentina descobriu um esquema milionário na fronteira com o Brasil. Além do costumeiro tráfico de drogas, criminosos ligados ao PCC teriam se unido a uma nova facção argentina para contrabandear vinho para o Brasil. Esse esquema tem movimentado milhões para criminosos que atuam na fronteira.
Tão logo a operação policial foi divulgada em rede nacional em uma emissora de televisão, o assunto acabou tomando conta também das redes sociais e levantou uma polêmica que há muito tempo venho discutindo: aquele vinho na lista do WhatsApp pode ser, sim, um produto do crime e, sem saber, você pode estar contribuindo com o contrabando. É preciso muito cuidado!
Segundo delegados das regiões fronteiriças do Brasil com o Paraguai, Argentina e Uruguai, em matéria para a revista Adega, as operações com apreensões de vinhos aumentaram muito nos últimos meses. De acordo com as autoridades, o motivo desse aumento é uma combinação de fatores como a desvalorização das moedas dos países vizinhos, barateando os produtos e aumentando as margens de lucro dos contraventores; o fato de que o vinho está caindo no gosto do brasileiro, fazendo com que essas quadrilhas migrem de outros produtos como perfumes para a bebida; e um outro ponto muito importante: o aumento das plataformas de e-commerce, principal forma de venda do vinho irregular.
Os delegados ainda informam que os principais destinos do vinho contrabandeados são pessoas de alta renda. Quem compra o vinho do descaminho não são pessoas que buscam vinhos populares. Os produtos que atraem esses consumidores são de alto valor agregado, garrafas que chegam a valer de R$ 600 a R$ 2.000 no mercado interno. E tendo em vista que esse tipo de consumidor buscar por marcas consagradas e por vinhos de qualidade, vale também salientar um outro problema que é bem comum e que pode acabar saindo caro: a falsificação dos vinhos.
Levando em conta todas essas informações, é preciso que o consumidor se mantenha em alerta para esse tipo de produto. Saber a procedência é fundamental para que não se contribua para disseminação do crime.
Minha dica na hora de comprar seu vinho é: desconfie de preços muito abaixo do mercado. O vinho passa por uma cadeia até chegar ao consumidor final e é o que acaba definindo o seu valor. Para evitar esse tipo de situação observe alguns detalhes na garrafa: busque pelo selo de inspeção do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) e a etiqueta com dados da importação para que ele tenha certeza que está adquirindo um produto lícito. Tente comparar com outras garrafas do mesmo vinho, os falsificados podem apresentar diferenças no rótulo, na cápsula, na rolha e, claro, na qualidade do produto.
Sobre Natália Gaion
Natural De São José dos Campos (SP), Natália Gaion foi criada em Porto Alegre (RS). Jornalista experiente, em 2017 se tornou sommelière profissional certificada pela Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS/RS) e Association de la Sommellerie Internationale (ASI). Há quase quatro anos, vive em João Pessoa. É educadora de vinhos e atualmente é sommèliere da B&A Distribuidora. Na sua carreira acumula experiências em consultorias, capacitações e treinamentos. Natália também já conheceu um bocado de vinhedos e vinícolas pelo mundo. Seu Instagram é @somm.nataliagaion.