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Alta do juro cria risco de desaceleração mais forte da economia, diz BC

Alta do juro cria risco de desaceleração mais forte da economia, diz BC

Avaliação consta na ata da última reunião do Copom, quando a taxa básica de juros subiu para 12,75% ao ano. BC avalia que inflação segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes.

10 de maio de 2022

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central avaliou nesta terça-feira (10) que o aumento da taxa básica de juros da economia nos últimos meses, com reflexo nas taxas bancárias, “cria um risco de desaceleração mais forte [da economia] que o antecipado nos trimestres à frente, quando seus impactos tendem a ficar mais evidentes”.

Na semana passada, o Copom elevou a taxa Selic para 12,75% ao ano no décimo aumento seguido da taxa básica de juros da economia. Com isso, a Selic atingiu o maior patamar em mais de cinco anos. Em janeiro de 2017, a taxa estava em 13% ao ano.

Até o momento, entretanto, o Banco Central avaliou que o conjunto dos indicadores de atividade econômica divulgado recentemente “indica um crescimento em linha com o que era esperado pelo Comitê”.

“O mercado de trabalho segue em recuperação e indicadores relativos ao comércio e à indústria apresentaram melhora na margem [nas últimas semanas]”, acrescentou.

Em março deste ano, o Banco Central estimou que o crescimento da economia seria de 1% em 2022. Já o mercado financeiro estimou, na semana retrasada, que o Produto Interno Bruto (PIB) terá um expansão de 0,70% neste ano. Em 2021, a economia cresceu bem mais: 4,6%.

Com a decisão sobre a taxa básica de juros da semana passada, o Brasil retomou a liderança do ranking mundial de juros reais, segundo levantamento compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management. Os juros reais, ou seja, descontada a inflação, atingiram 6,69% ao ano.

Inflação

O objetivo da alta no juro é tentar conter a escalada da inflação. Pressionado principalmente pelo aumento dos preços dos alimentos e dos combustíveis, o IPCA-15 — considerado u prévia da inflação oficial do país — ficou em 1,73% em abril. Em 12 meses, atingiu a marca dos 12%.

De acordo com a ata do Copom, a inflação ao consumidor “segue elevada, com alta disseminada entre vários componentes, se mostrando mais persistente que o antecipado”.

“As leituras recentes vieram acima do esperado e a surpresa ocorreu tanto nos componentes mais voláteis como nos mais associados à inflação subjacente. Nos itens mais voláteis, continua se destacando o aumento do preço da gasolina, com impacto maior e mais rápido do que era previsto”, acrescentou.

Entre os riscos apontados pelo Banco Central que podem pressionar mais a inflação, estão: uma maior persistência das pressões inflacionárias globais; e a incerteza sobre o futuro do “arcabouço fiscal” do país (teto de gastos, pelo qual as despesas não podem subir acima da inflação do ano anterior).

Por outro lado, o Copom observa que pode haver “uma possível reversão, ainda que parcial, do aumento nos preços das commodities [petróleo, aço e alimentos] internacionais em moeda local” que pode atenuar a inflação, assim como uma “desaceleração da atividade econômica mais acentuada do que a projetada”.

Decisão sobre juros

Para calibrar o nível dos juros, o sistema adotado é o de metas de inflação. Quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas, o Banco Central reduz a Selic.

Neste momento, o BC já está ajustando a taxa Selic para atingir a meta de inflação do ano que vem, uma vez que as decisões sobre juros demoram de seis a 18 meses para terem impacto pleno na economia.

Para 2023, a meta de inflação foi fixada 3,25%, e será considerada formalmente cumprida se oscilar entre 1,75% e 4,75%. Na semana retrasada, o mercado financeiro estimou que a inflação oficial somará 4,10%. A previsão, portanto, está acima da meta central, mas ainda dentro do intervalo de tolerância.

Na ata do Copom, o Banco Central reafirmou que deve promover novo aumento na taxa Selic em sua próxima reunião, em meados de junho, mas em “menor magnitude”. Com isso, o BC indicou que a alta será menor do que um ponto percentual.

“Tal estratégia foi considerada a mais adequada para garantir a convergência da inflação ao longo do horizonte relevante, assim como a ancoragem das expectativas de prazos mais longos, ao mesmo tempo que reflete o aperto monetário já empreendido, reforça a postura de cautela da política monetária e ressalta a incerteza do cenário”, concluiu.