logo paraiba total
logo paraiba total
[gtranslate]
Mulheres da Vez, por Marcela Fujiy: Diversidade Forçada

Mulheres da Vez, por Marcela Fujiy: Diversidade Forçada

20 de abril de 2022

Eu vivo cercada por artigos, notícias, pessoas e claro, posts relacionados à diversidade. Eu coabito numa bolha pautada pela diversidade pelo simples fato de entender que um mundo sem ela não é sustentável. 

Pois é, como disse, uma bolha. Eu lido tanto com esses assuntos, olho tanto para esses problemas que as situações que vou relatar abaixo ainda me chocam profundamente. 

Ambas aconteceram comigo, com pessoas muito próximas a mim, nesta semana: 

1) Convidada para participar de um evento alusivo ao empreendedorismo feminino, peço a programação como sempre faço para entender como posso contribuir melhor e se minha participação fará sentido. O evento conta com três cases de sucesso, porém na abertura, uma intervenção artística com três artistas homens. Ora, se o evento se trata de empreendedorismo feminino, sororidade e mulheres, vamos fomentar a comunidade local de artistas mulheres. 

Eu declino minha participação, explico minha visão. Sorte que o evento ainda estava sendo desenhado e houve tempo hábil de escuta e troca. Todas positivas. 

2) Amigo lança um evento: mesa masculina, branca, hetero, cis… you know the drill.  Ele me liga por um outro assunto. No final da conversa eu, sem muita cerimônia, o parabenizo pela iniciativa…segue nosso diálogo: 

– Que legal a iniciativa! Parabéns! Mas aquela mesa está muito branca ( risos ). O público não está mais aceitando isso.

-Ninguém reclamou, só você. Você já está treinada com essa lente. 

-Por isso mesmo que eu tenho que falar. Até ser natural, a gente tem que buscar essa diversidade. 

-Diversidade forçada para mim não dá. Eu vou pela qualidade.

-Você procurou? 

-Não, na hora que aparecer eu convido. 

Bom, a conversa se estendeu por mais alguns minutos. 

Em ambas ocasiões eu me espanto porque para mim é algo tão óbvio, tão na cara que eu não teria que explicar. 

Eu me espanto porque a diversidade está na capa de tantos jornais e revistas, mas talvez não o suficiente. 

Eu me espanto porque há tantos MBAs em ESG ( Environmental, Social and Governance) e eu achando que era demais. 

O fato é que a diversidade tem sim que ser forçada. Sim meu olhar é treinado, mas eu quis treiná-lo e me esforcei para isso. Não é sensibilidade, é querer. 

A diversidade tem que ser proposital até que alcancemos um patamar natural suficiente para que paremos a vigília. Não sei se isso será possível, mas a gente segue com esse objetivo. As novas gerações já nascem com esse olhar. 

Por mais avançado que seja o seu negócio em tecnologias, se você não tiver o olhar treinado para a diversidade, o seu negócio está fadado ao fracasso. Porque, invariavelmente, o olhar de quem irá consumi-lo estará. E sim isso também é inovar. 

Pois bem, seguem aqui algumas dicas para quem quer de fato incluir a diversidade nos seus negócios e no seu dia a dia: 

1) Convide/e ou contrate pessoas de grupos minorizados. Se não conhece, peça indicação, divulgue em suas redes sociais. Faça a oportunidade chegar a essas pessoas. 

2)  Use suas redes sociais para fazer essas conexões. Fulano, conhece beltrano que conhece cicrano. Funciona. 

3) Leia e assista mais sobre os nossos vieses inconscientes e entenda por que fazemos essas escolhas naturalmente. Minhas indicações: 

  • Não basta não ser racista: Sejamos antirracistas – Robin DiAngelo 
  • Rápido e devagar – Daniel Kahneman 
  • Série NetFlix Explicando: Por que as mulheres ganham menos. 

4) Siga influenciadores de grupos minoritarios nas redes sociais. 

5) Leia e assista negros e mulheres. 

E o mais importante, faça isso propositalmente.

Se não houver a intenção, não vai haver a solução. 

Sobre Marcela Fujiy

Marcela é graduada em Direito e pós-graduada em Administração de Empresas. Com mais de 15 anos imersa no meio empreendedor, a paraibana coleciona conquistas, cases de sucesso e muito aprendizado à frente das franquias Kopenhagen Manaíra e Cabo Branco, da aceleradora de negócios femininos BeLabs e da sua mais nova sociedade, a padaria artesanal “Farina In Natura”, também no Cabo Branco. Marcela já morou na Suécia e ministra palestra em diversos lugares do Brasil sobre empoderamento e empreendedorismo feminino.