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Papo de Vinho, por Natália Gaion: Vinhos e espumantes sem álcool, uma tendência

Papo de Vinho, por Natália Gaion: Vinhos e espumantes sem álcool, uma tendência

31 de março de 2022

Participei de um seminário da Revista Adega e Ideal Consulting no começo do mês e muito se falou sobre a tendência dos vinhos e espumantes desalcoolizados ou com baixo teor de álcool. A preocupação de muitas pessoas com um estilo de vida mais saudável, a conscientização em relação aos riscos de beber e dirigir e, até mesmo, questões ligadas à saúde que impedem a ingestão de álcool permanente ou temporariamente foram as justificativas apontadas para o aumento da busca pelas bebidas sem álcool no mundo nos últimos anos.

Durante o seminário os especialistas ressaltaram que essa será uma das tendências para o mercado brasileiro dos vinhos em 2022. Esse assunto ficou em minha cabeça por alguns dias e então resolvi que seria tema aqui do Papo de Vinho.

É fato que no segmento das cervejas a demanda pelos desalcoolizados já uma realidade, mas no universo dos vinhos e espumantes o cenário ainda é nebuloso para os consumidores regulares dessa bebida. O álcool é, indiscutivelmente, um dos componentes que ajuda no equilíbrio do vinho, bem como é um transportador de aromas quando evapora. Ele ainda é responsável por adicionar corpo e textura à bebida. E tudo isso gera ainda mais desconfiança da parte dos consumidores brasileiros.

Uma outra questão que eu escuto com bastante frequência que é: “vinho sem álcool não seria a mesma coisa que suco de uva?”. E a resposta é “não, não é!”. O processo para elaboração do suco e do vinho são diferentes e o resultado de sabores também.

Comecemos pelo suco: ele é preparado a partir de uvas de mesa, que em outras palavras, são destinadas ao consumo in natura, como aquelas que encontramos nas feiras e supermercados. Depois de colhida, a fruta é cozida, pasteurizadas e engarrafadas.  Já o vinho é preparado com uvas vitis viníferas, próprias para essa finalidade. Ele passa por todo o processo de fermentação e, só então, é feita a desalcoolização para depois ser engarrafado. Esse procedimento garante à bebida as qualidades e características do vinho.

E tentando manter as propriedades de paladar e aroma e pensando em atingir esses consumidores que procuram uma alternativa de seguir ingerindo o vinho mesmo em momentos de restrições alcóolicas, os produtores estão empenhados em expandir seus portfólios. Há alguns anos vinícolas no mundo já iniciaram a propagação desse tipo de vinho e aqui no Brasil alguns produtores também estão de olho nessa fatia do mercado.

Então, sendo a favor dessa onda ou torcendo o nariz para os desalcoolizados essa é uma tendência que logo menos irá se tornar muito mais comum por aqui.

Agora me conte aqui, você já provou algum vinho ou espumante sem álcool? O que acha sobre esse tema.

Sobre Natália Gaion

Natural De São José dos Campos (SP), Natália Gaion foi criada em Porto Alegre (RS). Jornalista experiente, em 2017 se tornou sommelière profissional certificada pela Associação Brasileira de Sommeliers do Rio Grande do Sul (ABS/RS) e Association de la Sommellerie Internationale (ASI). Há quase quatro anos, vive em João Pessoa. É educadora de vinhos e atualmente é sommèliere consultora da B&A Distribuidora. Na sua carreira acumula experiências em consultorias, capacitações e treinamentos. Natália também já conheceu um bocado de vinhedos e vinícolas pelo mundo.